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8 de maio de 2026

SESI promove debate sobre saúde mental nas empresas durante o Index

INDEX SESI SESISaude SST
Evento discutiu um dos assuntos mais importantes da atualidade. Fotos: Joka/Coperphoto/Sistema FIEB.

O SESI Bahia realizou, nesta quinta-feira (7), dentro do Index, o encontro “Saúde Corporativa: Movimento Empresarial pela Educação (MES)”, reunindo especialistas para falar um dos temas mais importantes da atualidade: a saúde mental no trabalho. O evento contou com as palestras do psiquiatra Daniel Barros, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), e do psicólogo e terapeuta familiar Alexandre Coimbra Amaral.

Durante a abertura, o superintendente do SESI Bahia, Armando Neto, destacou o engajamento das indústrias baianas no movimento liderado nacionalmente pelo SESI e ressaltou os impactos econômicos e humanos do adoecimento mental no ambiente corporativo.

“Temos falado da questão dos custos diretos dos tratamentos na área de saúde, mas existe também o custo invisível. Quando a saúde do trabalhador não é bem cuidada, temos absenteísmo, afastamentos e reflexos na produção. Isso também é custo para as empresas”, afirmou.

Armando Neto destacou ainda que os transtornos mentais estão entre as principais causas de afastamento no trabalho e defendeu que o tema seja tratado sem preconceitos.“Décadas atrás, saúde mental tinha um estigma muito grande. Quem sofria de algum transtorno acabava sofrendo também preconceito. Hoje precisamos discutir isso de forma clara e aberta”, pontuou.

Informação como ferramenta contra o preconceito

Em sua palestra, o psiquiatra Daniel Barros afirmou que ampliar o debate é uma das formas mais importantes de combater o estigma relacionado aos transtornos mentais.“A melhor forma de diminuir o preconceito é conversando e levando informação”, disse.

Daniel Barros falou da necessidade da atenção e do cuidado individual e coletivo.

Segundo ele, a pandemia de Covid-19 contribuiu para ampliar a percepção coletiva sobre a importância do cuidado emocional.“Caiu a ficha para todos nós sobre a importância de falarmos sobre saúde mental da mesma forma que falamos sobre vacinação ou outras questões de saúde”, afirmou.

O psiquiatra explicou que, embora exista aumento nos diagnósticos de transtornos mentais, não se trata de uma epidemia, como se tem alardeado. No entanto, ele ressaltou que cuidar da saúde mental dentro das empresas é uma medida ética, humana e também estratégica.

Prevenção e qualidade de vida

Durante a apresentação, Daniel Barros abordou três níveis de prevenção em saúde mental. O primeiro deles, a atenção primária, envolve hábitos saudáveis e fortalecimento das relações sociais. Entre os fatores essenciais para o equilíbrio emocional, ele citou alimentação saudável, sono adequado, atividade física e vínculos afetivos.

Alexandre Coimbra Amaral falou sobre a importância do ambiente e dos laços.

O especialista reforçou ainda que as empresas têm papel central nesse processo, já que o ambiente de trabalho ocupa grande parte da vida das pessoas.

Na prevenção secundária, ele destacou a importância da detecção precoce e do acesso ao tratamento. Segundo o psiquiatra, estimativas apontam que cerca de 80% dos pacientes psiquiátricos no Brasil não recebem tratamento adequado, principalmente por estigma e preconceito.“Quando um comportamento se instala, passa a atrapalhar o dia a dia e não desaparece, é um sinal amarelo. É preciso procurar ajuda”, orientou.


“Não adoecemos sozinhos”

O psicólogo Alexandre Coimbra Amaral conduziu a palestra “Saúde mental: grande desafio das organizações”, propondo uma reflexão sobre o papel dos ambientes de convivência no adoecimento e na recuperação emocional. “Onde houver gente, existe a possibilidade de perguntarmos se aquele espaço facilita ou dificulta a saúde mental das pessoas”, afirmou.

Para ele, os vínculos sociais exercem influência direta sobre o bem-estar emocional.Alexandre destacou que o ambiente organizacional precisa ser pensado como espaço de reconhecimento, pertencimento e acolhimento. Ele lembrou ainda que fatores estruturais, como o racismo, impactam diretamente a saúde mental da população negra.

“Somos um país estruturalmente racista. Isso faz com que pessoas negras estejam mais suscetíveis ao adoecimento mental porque enfrentam ambientes mais hostis e violentos”, observou.
O psicólogo ressaltou que a discussão sobre saúde mental nas empresas ainda é recente e que instituições e lideranças estão em processo de aprendizado.“Empresas, indústrias, hospitais e escolas estão começando agora a pensar essa história da saúde mental. “Não adoecemos sozinhos. O laço social nos adoece e também nos trata”, disse.

Os quatro pilares da saúde mental

Durante a palestra, Alexandre Coimbra apresentou os quatro verbos definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como pilares da saúde mental: conectar, enfrentar, funcionar e florescer.

Entre os aspectos destacados estão a construção de relacionamentos positivos, o senso de pertencimento, a capacidade de lidar com mudanças, o desenvolvimento de habilidades cognitivas e a busca por propósito de vida.“Estamos perdendo a capacidade de conexão por conta das telas”, alertou.
O psicólogo também defendeu uma liderança mais humanizada e baseada em reconhecimento.“Saúde mental é reconhecimento. Eu tenho reconhecido as pessoas com quem eu trabalho? Eu me interesso pelas pessoas mais do que pelos resultados?”, questionou.

Segundo ele, fortalecer vínculos dentro das organizações deve ser encarado como estratégia de gestão.“Vínculo é recurso estratégico. Treinar habilidades de vinculação entre as pessoas é um ativo fundamental”, concluiu.

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