Economia criativa é tema de painel no último dia do Index 2026
Encontro reuniu nomes como Pedro Tourinho, Larissa Luz, Carlos Prazeres e Andrea Guimarães

Na abertura do último dia do Index 2026, maior evento do setor industrial do Nordeste, que acontece no Centro de Convenções Salvador, o painel “Da cultura à inovação: como a economia criativa impulsiona o desenvolvimento sustentável” reuniu o público em torno da discussão sobre o papel da criatividade no desenvolvimento da indústria. O encontro recebeu o publicitário especialista em entretenimento e mídia, Pedro Tourinho; a diretora de desenvolvimento da economia criativa do Ministério da Cultura (MINC), Andrea Guimarães; a cantora e atriz, Larissa Luz, e o maestro regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), Carlos Prazeres.
Na Bahia, estado conhecido por sua riqueza cultural e diversidade artística, a temática desponta como exemplo de território onde cultura e inovação caminham lado a lado. Nesse contexto, a economia criativa aparece nas agendas econômicas como ferramenta essencial para a geração de renda, fortalecimento da identidade cultural, inclusão social e desenvolvimento sustentável.

Segundo Andrea Guimarães, o MINC está realizando o Fórum Brasil Criativo para saber o que deve ser trabalhado dentro das políticas públicas, mas também há a necessidade de angariar parcerias. “Estamos fazendo isso com outros ministérios e outros parceiros, como o SESI, o Sebrae, abrindo caminhos de diálogo. Não adianta só o Ministério da Cultura falar desse tema porque ele é uma ação que conversa com várias áreas da economia brasileira. Então precisamos angariar parcerias, para trazer outras pessoas e outras instituições para dentro dessa agenda”, explica.
A contraponto disso, Pedro Tourinho ressaltou que “a indústria criativa é tão ampla que não consegue se concentrar numa estratégia de atuação só, e somente alguns segmentos que são mais organizados, como o audiovisual, conseguem se posicionar como indústria”, destacou ao lembrar que uma banda de K-pop, da Coreia do Sul, fez um investimento muito grande em tecnologia, há 20, 30 anos atrás e que hoje são as séries mais assistidas desse movimento e que o Brasil precisa de investimento coordenado em cultura, em valorização do território.
Para Larissa Luz é a cultura o que cria o repertório, e esse é o responsável pela imaginação: “Sem o repertório cultural não temos como criar, imaginar, vislumbrar e informar. E se não temos investimento na cultura, para que as pessoas tenham acesso a esse repertório, ele vai se esvaindo e vamos ficando no deserto criativo”, explica.
Já Prazeres, inspirado na fala de Larissa Luz e de Pedro Tourinho, afirma que é necessário a formação cultural de pessoas para sustentar uma inovação contínua. “Sem esse desenvolvimento vamos enterrar para sempre o samba de Cartola, as peças de Shakespeare, as sinfonias de Beethoven, as Bachianas de Vila Lobos, porque talvez as pessoas achem mais valioso pagar 10 reais em uma cerveja do que em um ingresso”, comentou.
