Representantes da Indústria apresentam ao Governo Federal prioridades para a logística da Bahia

Na manhã desta quarta-feira (13), o superintendente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Vladson Menezes e José Luís Andrade, diretor da FIEB e presidente da Associação das Indústrias de Vitória da Conquista (AINVIC) participaram de reunião com integrantes da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (SEPPI), da Casa Civil da Presidência da República, para discutir temas estratégicos relacionados à infraestrutura logística da Bahia.
Participaram do encontro Marcus Cavalcanti, secretário especial para o Programa de Parcerias de Investimentos (SEPPI) da Casa Civil da Presidência da República; Adailton Dias, secretário adjunto da Secretaria Adjunta de Infraestrutura Econômica/SEPPI/CC/PR; e Julia Nazareno, gerente de Projetos na Secretaria Adjunta de Projetos Especiais.
Durante a reunião, a FIEB apresentou contribuições técnicas relacionadas à renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e à nova concessão da BR-116/324/BA – Rota 2 de Julho, defendendo uma abordagem integrada entre os dois projetos para ampliar a competitividade e melhorar a eficiência logística do estado.
Segundo o superintendente da FIEB, Vladson Menezes, as discussões concentraram-se principalmente na necessidade de investimentos estruturantes para a Bahia, com foco na Região Metropolitana de Salvador e também em Vitória da Conquista.
“Falamos mais objetivamente sobre renovação da concessão da FCA, onde apresentamos algumas solicitações, e também a questão da Rota 2 de Julho, que compreende o trecho rodoviário entre Salvador e a divisa com Minas Gerais, pelas BRs 324 e 116. A maior parte das demandas está focada na Região Metropolitana de Salvador, mas são fundamentais para o escoamento de mercadorias de toda a Bahia”, afirmou.
A necessidade de melhorias na região de Vitória da Conquista, incluindo investimentos em viadutos, duplicações e intervenções voltadas à redução de acidentes e melhoria dos acessos ao distrito industrial e ao aeroporto também foi tema da reunião. “Foi uma reunião muito positiva e o Governo Federal vai examinar as demandas apresentadas”, completou o presidente da AINVIC.
Agenda logística integrada
A FIEB sustenta que a renovação da FCA e a nova concessão da BR-116/324 devem ser tratadas como parte de uma mesma agenda logística, voltada à recuperação da integração entre indústria, ferrovias, rodovias e portos da Região Metropolitana de Salvador (RMS).
A entidade alerta que a RMS concentra os principais polos industriais e portuários da Bahia — incluindo CIA, COPEC, Mataripe e os portos da Baía de Todos-os-Santos —, mas enfrenta gargalos estruturais como a baixa eficiência ferroviária, saturação da BR-324, deficiência na integração ferrovia-porto e conflitos entre tráfego urbano, industrial e de longa distância.
FCA: investimentos e metas para a Bahia
No caso da renovação da concessão da FCA, a FIEB defende que o processo esteja condicionado à inclusão de investimentos obrigatórios e auditáveis, metas operacionais mensuráveis e ações voltadas à recuperação da capacidade ferroviária e integração com os portos e polos industriais.
Entre as prioridades apontadas pela entidade estão:
- preservação e modernização da Ferrovia Minas-Bahia;
- cronograma físico-financeiro específico para a malha baiana;
- antecipação da Variante do Paraguaçu;
- reabilitação do acesso ferroviário ao Porto de Aratu-Candeias;
- ampliação do transporte ferroviário de cargas;
- integração ferroviária com Cotegipe, Sacopa e Valéria;
- criação de comitê permanente de acompanhamento da renovação da FCA.
Segundo a FIEB, uma simples prorrogação contratual sem investimentos estruturantes pode ampliar o isolamento logístico da Bahia.
Rota 2 de Julho
Em relação à nova concessão da BR-116/324/BA – Rota 2 de Julho, a entidade defende que o projeto represente uma reestruturação efetiva da BR-324, especialmente no trecho Salvador–Feira de Santana.
Entre as principais demandas apresentadas estão:
- ampliação da BR-324 para três faixas por sentido, chegando a quatro em trechos críticos;
- realização de obras obrigatórias já nos primeiros anos da concessão;
- separação funcional entre tráfego metropolitano, cargas e longa distância;
- integração com CIA, COPEC, Mataripe, Aratu-Candeias, Porto de Salvador e áreas logísticas;
- melhorias nos acessos industriais e urbanos em Vitória da Conquista;
- preservação da fluidez da Via Expressa de acesso ao Porto de Salvador;
- plano emergencial de manutenção até a entrada da nova concessionária;
- governança permanente com participação do setor produtivo.