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7 de maio de 2026

Fórum das Grandes Indústrias debate inovação, financiamento e competitividade durante o INDEX, em Salvador

CNI FIEB INDEX Indústria

Salvador sediou, durante o INDEX, o Fórum das Grandes Indústrias, reunindo, nesta quarta-feira (06), lideranças do setor produtivo, representantes do governo federal e instituições de fomento para discutir caminhos para ampliar a competitividade da indústria brasileira por meio de inovação, tecnologia e financiamento.

Durante o encontro, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, destacou a importância da atuação integrada entre Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e setor produtivo para fortalecer a indústria nacional.

Segundo Alban, o Brasil precisa ampliar sua competitividade e produtividade para enfrentar a concorrência global, especialmente diante da expansão industrial da China e seus impactos sobre os mercados internacionais. Para ele, a defesa comercial deve ir além de tarifas de importação, incluindo políticas de fortalecimento das cadeias produtivas nacionais, incentivo à inovação, reciclagem e modernização industrial.

Para Alban, o país precisa ampliar investimentos em tecnologia, financiamento e integração entre instituições públicas e iniciativa privada. “É muito importante transformar isso em capacidade de alavancagem financeira em detrimento da realidade que nós temos de custos. Nós precisamos fazer com que, através de nossas instituições e parcerias, encontrarmos as cadeias produtivas necessárias”, pontuou.

O presidente da CNI também defendeu maior diálogo entre governo e setor produtivo para construção de soluções conjuntas e criticou a polarização política e social. Segundo ele, é necessário adotar uma visão integrada de desenvolvimento nacional, considerando as desigualdades regionais e a necessidade de políticas diferenciadas para Norte e Nordeste.

Alban reconheceu ainda o papel estratégico do BNDES e da Finep no financiamento da indústria e ressaltou que cabe ao setor produtivo utilizar esses recursos de forma eficiente para gerar transformação econômica e ganho de competitividade.

<< Na imagem: Ricardo Alban, presidente da CNI, e o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos.

Representando o BNDES, o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior, José Luis Gordon, apresentou os avanços do Plano Mais Produção, inserido na política da Nova Indústria Brasil (NIB). Segundo ele, o programa funciona como uma espécie de “Plano Safra da indústria”, articulando governo federal, BNDES, CNI e federações industriais para ampliar apoio e financiamento ao setor.

De acordo com Gordon, entre 2023 e 2025 o BNDES destinou R$ 300 bilhões ao setor empresarial, meta inicialmente prevista apenas para 2026. Com o resultado, a instituição ampliou o objetivo para R$ 370 bilhões até o fim deste ano, buscando contratar mais R$ 70 bilhões com a indústria.

A participação da indústria na carteira do banco também cresceu, passando de cerca de 17,7% em 2018 para quase 30% no último ano. Desde 2023, o BNDES ampliou linhas voltadas à inovação, digitalização e transformação produtiva, estimulando investimentos empresariais em tecnologia e modernização.

O diretor destacou ainda programas voltados para biocombustíveis, biometano e fortalecimento da indústria nacional, como o Brasil Soberano, que destina aproximadamente R$ 15 bilhões ao setor industrial. Outro destaque foi o programa de renovação de frota: o primeiro ciclo, de R$ 10 bilhões, teve os recursos rapidamente esgotados, levando ao lançamento de uma nova etapa de R$ 20 bilhões para financiamento de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. “O BNDES permanece disponível para atender empresas de todos os portes, direta ou indiretamente, além de desenvolver novas linhas de crédito de acordo com as demandas do setor produtivo”, assegurou.

Fórum aconteceu durante o INDEX, em Salvador.

Já o presidente nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Bruno Quick, afirmou que não existe desenvolvimento sustentável sem agregação de valor à produção nacional. Para ele, isso significa ampliar empregos qualificados, salários mais altos, capacitação contínua e maior inserção tecnológica na indústria.

Quick defendeu que o Brasil reduza sua dependência da exportação de commodities e avance na produção de tecnologias e produtos próprios, fortalecendo cadeias produtivas nacionais e a integração entre grandes empresas, fornecedores, startups e pequenos negócios. “Para isso é fundamental a cooperação entre universidades, setor produtivo, instituições de pesquisa e governo para impulsionar o desenvolvimento regional”.

O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, afirmou que a instituição ampliou significativamente o volume e a democratização dos recursos destinados ao financiamento da inovação industrial. Segundo ele, a Finep saiu de R$ 13 bilhões aplicados entre 2019 e 2022 para mais de R$ 40 bilhões contratados entre 2023 e 2025.

Ele anunciou que meta da instituição é investir R$ 36 bilhões em inovação até o fim de 2026, com foco em áreas estratégicas da Nova Indústria Brasil, como transição energética, transformação digital, agroindústria, bioeconomia, defesa e soberania tecnológica.

Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, defendeu a construção de um ambiente de negócios mais estável e seguro. Segundo ele, o Sistema Indústria precisa seguir ampliando sua presença junto às empresas e ajudar o setor produtivo a acessar melhor os editais e instrumentos de financiamento disponíveis.

Passos também destacou a necessidade de desmistificar a inovação dentro da indústria brasileira e ampliar a capacidade das empresas de estruturar projetos aptos a captar recursos, superando a atual inércia em investimentos tecnológicos.

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