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7 de maio de 2026

Defesa comercial ganha centralidade em debate promovido pela FIEB durante o INDEX

CNI FIEB INDEX Internacionalização
Constanza Negri, da CNI: Brasil precisa avançar na defesa comercial. Fotos: Valter Pontes/Antônio Cavalcante/Coperphoto/Sistema FIEB.

O fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e os desafios estruturais enfrentados pela indústria brasileira dominaram o Painel Defesa Comercial do Fórum das Grandes Indústrias, realizado nesta quarta-feira (06), durante o INDEX. O encontro foi mediado pelo superintendente da FIEB, Vladson Menezes, e reuniu especialistas para discutir os impactos do avanço das importações, especialmente sobre a indústria de transformação.

Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o painel contou com a participação da gerente de Comércio e Integração Internacional Constanza Negri. Ela destacou que, apesar de o Brasil apresentar superávit na balança comercial de forma agregada, a realidade da indústria de transformação é marcada por déficits persistentes ao longo dos últimos anos.

Constanza alertou que os dados revelam um crescimento contínuo da participação de produtos importados, tanto no consumo interno quanto na utilização de insumos industriais entre 2015 e 2024. Setores como máquinas e equipamentos, químicos, farmacêuticos e equipamentos de informática estão entre os mais impactados.

“A indústria brasileira enfrenta um desafio estrutural. Quando analisamos os fluxos de comércio sob a ótica da indústria de transformação, observamos um desequilíbrio crescente, tanto na balança comercial quanto na intensidade tecnológica das exportações”, afirmou.

Constanza ressaltou ainda que China, União Europeia e Estados Unidos concentram grande parte das importações que ampliam a presença de produtos estrangeiros no mercado brasileiro. Ela destacou que o déficit comercial com a China praticamente quintuplicou nos últimos cinco anos, saltando de cerca de US$ 10 bilhões em 2020 para quase US$ 50 bilhões.

A especialista ponderou que importar não é necessariamente um problema, mas alertou para os efeitos do aumento acelerado das importações em determinados segmentos industriais. “Os dados mostram um desafio relevante para a política comercial brasileira, que precisa considerar esses desequilíbrios estruturais”, disse.

Durante o painel, Constanza defendeu o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial previstos nas normas internacionais. Entre os instrumentos mais utilizados pelo Brasil está o antidumping, aplicado para combater práticas consideradas desleais de comércio internacional. Segundo ela, o país ainda pode avançar no uso de medidas compensatórias, estratégia amplamente utilizada pelos Estados Unidos.

“Defesa comercial é uma ferramenta legítima, baseada em arcabouço legal consolidado. O Brasil pode atuar de forma mais assertiva e estratégica”, destacou.

A sócia da MPA Tradelaw, Rafaela Noman, também apontou um aumento global das ações de defesa comercial, tendência acompanhada pelo Brasil. Ela observou que a China responde atualmente por quase metade das investigações em curso no país — 30 das 67 apurações abertas — além de concentrar a maior parte das medidas já em vigor.

Os setores mais afetados, segundo os dados apresentados, são químicos, metais, têxteis e aparelhos médicos.

As especialistas defenderam que a agenda de defesa comercial seja conduzida com maior racionalidade técnica, afastada de disputas ideológicas e baseada em monitoramento permanente dos fluxos de importação. Entre as propostas apresentadas está a criação de um sistema nacional contínuo de acompanhamento de dados de comércio exterior, com ferramentas de inteligência capazes de identificar movimentações críticas em tempo real.

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