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7 de maio de 2026

Biocombustível e potencial da Bahia na nova indústria verde são destaques no INDEX

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A Nova Indústria Verde da Bahia foi discutida no seminário Biocombustíveis e Setor Elétrico foto: Igor Santos/Coperphoto/Sistema FIEB

A transição energética e o avanço dos biocombustíveis como alternativa estratégica para a redução das emissões de carbono pautaram o painel “A Nova Indústria Verde da Bahia”, realizado nesta quinta-feira (7), durante o seminário “Biocombustíveis e Setor Elétrico”. O encontro reuniu representantes do setor público, especialistas e executivos da indústria para discutir os desafios e oportunidades da descarbonização no Brasil e no estado da Bahia.

A mediação foi conduzida pelo diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, que destacou o protagonismo do debate em um momento considerado estratégico para a indústria brasileira. “O debate sobre biocombustíveis ocupa hoje um espaço central nas discussões sobre transição energética. O gás natural funciona como uma ponte entre os combustíveis fósseis menos poluentes e as fontes renováveis, além de se conectar diretamente ao biometano”, afirmou.

A superintendente de Tecnologia e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Maria Auxiliadora Nobre, apresentou os avanços da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, criado para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Segundo ela, o programa trabalha com metas de descarbonização, créditos de descarbonização (CBIOs) e certificação da produção. “O RenovaBio traz maior previsibilidade ao setor e incentiva a expansão sustentável da produção de biocombustíveis”, explicou.

Maria Auxiliadora detalhou ainda os critérios da certificação, regulamentada pela Resolução ANP 984, que exige auditoria realizada por firmas inspetoras credenciadas. O resultado da avaliação gera a nota Renovacalc, utilizada para medir a eficiência ambiental da produção.

Atualmente, mais de 70% das mais de 400 unidades autorizadas no país já possuem certificação, com emissão superior a 215 milhões de CBIOs — créditos que representam milhões de toneladas de carbono evitadas na atmosfera. Na Bahia, nove unidades estão autorizadas e sete já são certificadas. O setor de biodiesel no estado possui certificação integral.

A representante da ANP também ressaltou os impactos da Lei do Combustível do Futuro, que ampliou os limites para biocombustíveis e criou programas nacionais voltados ao SAF (combustível sustentável de aviação), diesel verde e biometano.

Representando a Oleoplan, Leonardo Botelho Zilio destacou o papel social dos biocombustíveis, especialmente na agricultura familiar.“É impossível falar de biocombustíveis sem destacar a importância da agricultura familiar. Hoje, mais de 300 mil pessoas vivem dessa cadeia produtiva no Brasil. O Norte e o Nordeste têm sido contemplados por programas federais que estimulam a compra de insumos dessas regiões”, afirmou.

Para ele, o atual cenário geopolítico evidencia a necessidade de reduzir a dependência internacional de combustíveis fósseis. “O Brasil ainda depende cerca de 25% da importação de combustíveis fósseis. Precisamos acelerar a produção de novos biocombustíveis e discutir não apenas preço, mas também valor estratégico”, acrescentou.

Já Maira Peruzzo, da Acelen Renováveis, destacou iniciativas voltadas ao combustível sustentável de aviação (SAF) e à recuperação ambiental. “O SAF pode reduzir em até 80% as emissões de CO₂. Estamos investindo no plantio de macaúba em áreas de pastagens degradadas, com potencial de recuperação de 180 mil hectares”, disse.

Ela também reforçou o potencial brasileiro no desenvolvimento de combustíveis renováveis. “O Brasil é a Arábia Saudita da fotossíntese. O combustível sustentável de aviação e o HVO representam algumas das grandes possibilidades para o futuro”, afirmou.

Encerrando o painel, Luis Carlos Costa Filho, da Binatural, ressaltou os ganhos ambientais acumulados pela produção nacional de biocombustíveis.“Desde o início da produção de biocombustíveis no Brasil, mais de 270 milhões de toneladas de CO₂ deixaram de ser emitidas. O biodiesel utiliza majoritariamente óleo de soja, mas nossa empresa também trabalha com óleo de fritura reciclado, resíduos da agricultura familiar e coco de piaçava”, explicou.

Segundo ele, ampliar a produção nacional é também uma questão de segurança energética. “Importar energia significa vulnerabilidade. O Brasil tem capacidade de reduzir essa dependência e fortalecer sua produção de biodiesel”, concluiu.

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