Segurança pública e inteligência empresarial pautam reunião do Conselho de Novas Lideranças Industriais

A importância da integração entre setor produtivo, tecnologia e forças de segurança para a construção de ambientes empresariais mais seguros esteve no centro dos debates da Reunião Extraordinária do Conselho de Novas Lideranças Industriais (CNLI), realizada na quarta-feira (29), na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).
Com o tema “Segurança na Prática: Experiências e Desafios do Ambiente Empresarial”, o encontro contou com a participação do delegado-geral adjunto de Operações da Polícia Civil da Bahia, Jorge Figueiredo, o CEO da IPQ Tecnologia, Heitor Galvão, e empresários para discutir boas práticas, inteligência aplicada à segurança e o papel da inovação no enfrentamento dos desafios que impactam o ambiente de negócios.
O delegado-geral adjunto de Operações da Polícia Civil da Bahia compartilhou experiências da sua trajetória na área de segurança pública e ressaltou a importância do trabalho de inteligência para a prevenção da criminalidade. Segundo ele, a construção de uma ampla rede de informações depende da colaboração entre poder público e iniciativa privada. “O trabalho de inteligência é mais importante do que a repressão. Quando o empresariado participa e compartilha informações, conseguimos fortalecer a prevenção e ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança”, destacou.
O delegado falou ainda do programa Câmera Interativa, iniciativa da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) que permite a integração de câmeras de condomínios, empresas e residências ao sistema estadual de videomonitoramento. As imagens compartilhadas podem ser utilizadas em ações preventivas, ostensivas e investigativas, além de serem cruzadas com bases de dados da SSP por meio de recursos como reconhecimento facial e leitura de placas de veículos.
Para Jorge Figueiredo, a adesão do setor privado ao programa é fundamental para ampliar a cobertura de monitoramento e fortalecer as ações de segurança pública em todo o estado. “O estado não dispõe de recursos suficientes para instalar e manter tantos equipamentos nas cidades. Se os cidadãos se integram à rede de monitoramento, isso aumenta o alcance do sistema da SSP, contribuindo com o nosso trabalho e com a segurança pública”, explicou.
A presidente do CNLI, Gabriela Oliveira, destacou que a segurança é uma questão estrutural que afeta diretamente a gestão das empresas e precisa estar na agenda dos líderes empresariais. “Como empresários, especialmente em pequenas e médias empresas, muitas vezes ficamos focados na operação e deixamos de observar aspectos relacionados à segurança e ao monitoramento. Ter esse olhar preventivo e estratégico faz toda a diferença para proteger as pessoas, os negócios e contribuir com a sociedade”, afirmou.
Gabriela deu como exemplo o projeto arquitetônico de plantas de produção e a iluminação como elementos fundamentais para a segurança patrimonial, aspectos só observados após a aproximação da Polícia Civil da Bahia com a FIEB, iniciada em abril, depois da ocorrência de episódios de roubo de cabos de cobre em indústrias, situação da qual foi vítima.
Tecnologia e inteligência

Na reunião, Heitor Galvão, CEO da IPQ Tecnologia, apresentou soluções tecnológicas voltadas à segurança pública e privada. Entre os destaques, esteve o Arcanjo, primeiro robô humanoide brasileiro desenvolvido para apoio à segurança pública, criado pela empresa baiana em parceria com a chinesa EngineAI.
O executivo explicou o processo de desenvolvimento da tecnologia e seu potencial para auxiliar no monitoramento, identificação e localização de suspeitos, contribuindo para a elucidação de crimes. “A tecnologia precisa estar conectada às necessidades reais da sociedade. Nosso trabalho é compreender as dores do empresariado e do setor público para desenvolver soluções que integrem segurança pública e privada, gerando melhores resultados para os empreendimentos e para as famílias”, afirmou.
Durante o debate, os participantes discutiram ainda boas práticas de segurança corporativa, modernização de sistemas de monitoramento, armazenamento em nuvem e medidas preventivas que podem reduzir vulnerabilidades nos ambientes empresariais.