Conflito no Oriente Médio traz oportunidades para o mercado de calcário agrícola no Brasil

A restrição internacional na oferta de nutrientes, em razão da crise no Oriente Médio, provocou nos últimos meses um salto nos preços dos fertilizantes no mercado brasileiro. Em razão disso, a elevação de custos da produção do campo tem impulsionado a busca pelo calcário, uma vez que seu uso eleva o aproveitamento dos nutrientes já presentes ou aplicados ao solo, tornando a adubação mais rentável para o produtor.
Essa avaliação é do presidente do Sindicato da Indústria de Mineração de Calcário, Cal e Gesso no Estado da Bahia (Sindical-BA), Sérgio Pedreira de Oliveira, que cita o fato de o Brasil ser autossuficiente na produção de calcário agrícola, o que blinda o produto da dependência de rotas internacionais de importação. Pedreira destaca que, neste domingo (24 de maio), celebra-se o Dia Nacional do Calcário Agrícola, insumo que é considerado o “alicerce” da agricultura moderna.
Na Bahia, a data ganha relevância especial: o estado não apenas figura entre os principais produtores do país, mas é peça-chave para a manutenção dos recordes de produtividade do Matopiba (fronteira agrícola entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Protagonismo Baiano
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (ABRACAL), o Brasil consome anualmente cerca de 61 milhões de toneladas de corretivos de solo.
A Bahia, com sua diversidade geológica, responde por aproximadamente 15% a 20% da demanda do Nordeste, com uma produção estadual que alcança a marca de 1,2 milhão de toneladas anuais, atendendo principalmente ao mercado interno, chegando a importar pequenas quantidades de estados vizinhos, especialmente de Minas Gerais.
Na Bahia, a extração e beneficiamento do calcário estão concentrados em regiões estratégicas, que garantem a logística para grandes áreas produtoras, especialmente na região Oeste, em municípios como Santa Maria da Vitória, Ibotirama e São Desidério.
Por que o calcário é vital?
A calagem — processo de aplicação do calcário — é o primeiro passo para o sucesso de qualquer safra. Cerca de 70% dos solos brasileiros são ácidos, o que impede que a planta absorva nutrientes essenciais.
Com o encarecimento dos preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, como a uréia, devido à guerra no Irã, especialistas e entidades como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), recomendam o uso de calcário em maior quantidade, como uma estratégia para corrigir a acidez do solo e aumentar a eficiência dos adubos que estão mais caros, conforme destaca Sérgio Pedreira.
Fonte: Sindical-BA