SESI e SENAI fazem parceria com Banco Vermelho em ação por Feminicídio Zero

O SESI e o SENAI Bahia, em parceria com o Instituto Banco Vermelho, instalaram nesta sexta-feira (16) o Banco Vermelho na Escola SESI Djalma Pessoa, em Piatã, Salvador, quarto equipamento a ser instalado em unidades das entidades do Sistema FIEB. A iniciativa integra o movimento nacional Feminicídio Zero e busca ampliar a conscientização sobre a violência contra as mulheres, levando o debate para o ambiente educacional e fortalecendo ações de prevenção e enfrentamento ao feminicídio.
A cerimônia reuniu representantes de instituições públicas, entidades da indústria, educadores e estudantes para discutir a importância da mobilização social contra a violência de gênero. O Banco Vermelho, símbolo internacional de alerta para o feminicídio, foi instalado em local de grande circulação da escola. Pintado de vermelho, ele representa tanto o sangue derramado pelas vítimas quanto o sinal de parada diante da violência, trazendo ainda informações sobre canais de denúncia e acolhimento, como o Ligue 180 e o 190.
Durante a abertura do evento, o diretor superintendente do SESI Bahia, Armando Neto, destacou a necessidade de ampliar o debate sobre o tema. “Estamos fazendo esta ação por conta de uma doença do nosso país. É inconcebível a quantidade de mulheres mortas por homens no Brasil. A gente precisa fazer alguma coisa”, afirmou. Segundo ele, trazer essa discussão para o ambiente educacional é uma forma de promover respeito e conscientização. “Todos merecem respeito”, reforçou.
Patrícia Evangelista, superintende te de Educação Profissional do SENAI Bahia, ressaltou o compromisso das instituições com a causa. “É um orgulho estarmos aqui e fazermos parte desta iniciativa. O Banco Vermelho é mais do que um símbolo, é um convite ao diálogo. Não podemos silenciar diante da violência e precisamos ter consciência da nossa responsabilidade como instituição comprometida com a transformação social”, afirmou.
A vice-presidente do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi, participou da cerimônia por vídeo e enfatizou o papel simbólico e educativo da iniciativa. “O Banco Vermelho representa o sangue derramado por essas mulheres, mas também sinaliza apoio e ajuda. É uma luta gigante porque o problema é gigante”, disse. Ela destacou ainda que a ação busca sensibilizar a população para a prevenção da violência e divulgar os canais de acolhimento e denúncia.
A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Camila Batista, defendeu a importância da educação na construção de uma sociedade mais igualitária. Segundo ela, é fundamental promover discussões sobre masculinidades positivas e enfrentar questões estruturais que estão na raiz da violência contra as mulheres, como o machismo e a desigualdade de gênero.

Ambiente de formação
A instalação do Banco Vermelho na Escola SESI Djalma Pessoa integra uma parceria que prevê a implantação de dez unidades em escolas do SESI e unidades do SENAI na Bahia. A iniciativa já alcançou unidades em Dendezeiros, Lauro de Freitas e Alagoinhas e seguirá para outras cidades do estado, ampliando a mensagem de conscientização e prevenção em ambientes educacionais.
Para a superintendente de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo, a escola tem papel fundamental na formação cidadã e não pode se afastar de temas que impactam diretamente a vida dos estudantes. “É uma pauta importante e necessária. Não dá para tirar da vida deles aquilo que acontece, que eles presenciam e sabem. Por mais sensível que seja, a escola não pode se furtar a discutir temas relevantes para a sociedade. Ao contrário, é um espaço privilegiado de conscientização e formação integral”, destacou.
Cléssia ressaltou que o trabalho educativo vai além do conteúdo acadêmico. “Para além da formação propedêutica, a escola prepara para a vida, para a cidadania e para que os estudantes contribuam para uma sociedade mais justa e igualitária, onde todo tipo de discriminação e violência seja combatido”, completou.
A estudante Laura Souza emocionou os participantes ao refletir sobre a permanência da violência na vida das mulheres. “Ainda precisamos falar sobre isso porque a violência continua fazendo parte da realidade de muitas mulheres. Vidas foram interrompidas. Essa campanha nos convida a refletir e compreender que a violência não surge do nada, ela está ligada ao machismo estrutural e a padrões que afetam toda a sociedade”, afirmou.
O evento contou ainda com as participações da vice-presidente da FIEB, Renata Muller, da presidente do Comitê da Mulher na Indústria, Maria Eunice Habib, da advogada Fernanda Barbosa, presidenta da Comissão de Proteção aos Direitos das Mulheres da OAB da Bahia, e André Ribeiro, superintendente do Ministério Público do Estado da Bahia.