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3 de junho de 2026

Seminário da FIEB destaca oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia para a indústria baiana

CIN Comércio Exterior FIEB

Salvador recebeu, nesta terça-feira (3), o seminário “Acordo Mercosul-União Europeia: perspectivas, oportunidades e impactos para a economia brasileira e baiana”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN) e do Conselho de Comércio Exterior (COMEX). O evento reuniu representantes do governo, entidades empresariais, especialistas em comércio internacional e lideranças do setor produtivo para debater os efeitos do tratado considerado um dos mais importantes da história recente do comércio global.

O presidente Carlos Henrique Passos falou sobre as oportunidades de internacionalização, principalmente agora com as medidas americanas, que taxam produtos brasileiros no comércio com os EUA. Fotos: Divulgação.

Com um mercado potencial de cerca de 720 milhões de consumidores e Produto Interno Bruto (PIB) agregado de aproximadamente US$ 22 trilhões, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi concluído politicamente no fim de 2024 e formalmente assinado em janeiro de 2025, encerrando mais de 25 anos de negociações iniciadas em 1999.

Na abertura do encontro, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, destacou a relevância do acordo em um cenário internacional marcado por incertezas e pelo recrudescimento de medidas protecionistas. Segundo ele, a ampliação de mercados é estratégica para empresas exportadoras e importadoras.

“Estamos vendo a volta das discussões sobre tarifas em diversas economias e, certamente, uma das medidas mais importantes para quem exporta ou importa é encontrar novos mercados. Temos aqui uma oportunidade de compreender como tornar esse mercado mais ativo e construir relações que potencializem os negócios e o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.

Passos também ressaltou os desafios enfrentados pela indústria brasileira, citando questões relacionadas à competitividade, custos e mudanças regulatórias que impactam o ambiente de negócios.

Oportunidades para a indústria

Um dos destaques da programação foi a apresentação da gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri. Ela ressaltou que o acordo vai muito além da redução de tarifas e cria condições para uma integração econômica mais profunda entre os blocos.

Segundo a especialista, uma das principais demandas da indústria brasileira foi atendida durante as negociações: a redução gradual das tarifas para produtos europeus que entrarão no mercado brasileiro, em períodos que variam entre 10 e 15 anos. Já para diversos produtos brasileiros destinados à União Europeia, os benefícios tarifários ocorrerão desde o início da implementação do acordo.

“O acordo traz oportunidades imediatas para exportadores brasileiros, além de medidas voltadas à promoção de investimentos, comércio de serviços, cooperação regulatória e facilitação de negócios. Também prevê mecanismos específicos para apoiar pequenas empresas, ampliando o acesso às informações e ao financiamento”, explicou.

Constanza destacou ainda que o tratado pode contribuir para recuperar parte da relevância da União Europeia como destino das exportações baianas, fortalecendo relações comerciais de longo prazo.

Bahia precisa se preparar para exigências europeias

Durante o painel sobre impactos regionais, o superintendente da FIEB, Vladson Menezes, afirmou que os benefícios do acordo vão além da redução tarifária. Para ele, a Bahia precisa se preparar para atender às exigências ambientais e de certificação impostas pelo mercado europeu.

Entre os produtos baianos mais exportados para a União Europeia estão celulose, soja e derivados, além de produtos minerais. Segundo Menezes, a implementação de novas regras europeias de rastreabilidade e sustentabilidade exigirá adequações por parte das empresas.

“A União Europeia facilita o comércio, mas não flexibiliza suas exigências ambientais. Precisamos avançar em certificações, rastreabilidade e conformidade para aproveitar plenamente as oportunidades que serão abertas”, observou.

O executivo também chamou atenção para os impactos sobre a cadeia petroquímica, que poderá enfrentar maior concorrência em alguns segmentos, mas também ganhar competitividade com a redução dos custos de importação de equipamentos, catalisadores e insumos industriais.

Transição energética como diferencial competitivo

A agenda da transição energética apareceu como um dos principais temas do seminário. O diretor-presidente da Bahiainveste, Paulo Guimarães, destacou o potencial da Bahia para atrair investimentos relacionados à economia verde.

Segundo ele, a presença histórica de empresas europeias no estado e o protagonismo baiano na geração de energia eólica e solar criam condições favoráveis para novos investimentos ligados à produção sustentável.

“A Europa possui tecnologia e o Brasil dispõe de recursos naturais abundantes. Hoje já existe uma visão compartilhada de que a agregação de valor deve ocorrer localmente, gerando desenvolvimento industrial e exportação de produtos de maior valor agregado”, afirmou.

Guimarães também ressaltou a necessidade de adaptação das pequenas e médias empresas às exigências regulatórias europeias, especialmente em áreas como sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade trabalhista.

Além da indústria, o executivo apontou oportunidades para o setor de serviços, especialmente turismo e hotelaria, impulsionadas pelo fortalecimento das relações econômicas entre os dois blocos.

Acordo histórico

O especialista em comércio internacional Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e um dos palestrantes do evento, relembrou o longo processo de negociação do acordo, iniciado há mais de duas décadas.

Segundo ele, o tratado representa um marco para a integração econômica entre Mercosul e União Europeia e foi impulsionado pelas mudanças recentes no cenário internacional.

Barral explicou que a União Europeia se comprometeu a eliminar tarifas para cerca de 92% das exportações do Mercosul, embora alguns produtos agrícolas considerados sensíveis continuem sujeitos a cotas e regras específicas de acesso ao mercado europeu.

“O acordo vai muito além da questão tarifária. Ele cria mecanismos de cooperação, previsibilidade regulatória e integração econômica que podem gerar impactos significativos para os países do Mercosul nos próximos anos”, avaliou.

Perspectivas

Dados apresentados durante o seminário mostram que a entrada em vigor do acordo poderá abrir 543 oportunidades de exportação para produtos brasileiros com redução tarifária imediata, segundo levantamento da ApexBrasil. Os setores mais beneficiados incluem máquinas e equipamentos, produtos manufaturados, químicos e alimentos.

No agronegócio, o tratado prevê eliminação total ou gradual de tarifas para diversos produtos, além de cotas preferenciais para itens como carnes, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça.

A expectativa dos participantes é que o acordo amplie a competitividade das empresas brasileiras, estimule investimentos estrangeiros, fortaleça a diversificação da pauta exportadora e aumente a segurança jurídica para os negócios.

Para a Bahia, o consenso entre os especialistas é de que o sucesso dependerá da capacidade de adaptação das empresas às novas exigências internacionais, especialmente nas áreas de sustentabilidade, certificação e inovação tecnológica.

Constanza Negri, em primeiro plano, vê acordo como algo positivo e promissor para o Brasil.
Vladson Menezes (microfone), citou adequação às normas europeias como desafio e oportunidade para a Bahia.

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