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28 de agosto de 2025

Resultados do Nova Indústria Brasil são discutidos na INDEX

FIEB INDEX Política industrial
Da esquerda para a direita: Fabrícia Silveira (CNI), Elias Ramos, presidente da FINEP, Uallace Moreira (Minc) e José Gordon, do BNDES. Fotos: Jefferson Peixoto/Coperphoto/Sistema FIEB.

Nesta quinta-feira (28), a Sala de Vidro da INDEX, maior evento da indústria da Bahia, foi palco do painel “Balanço de Resultados do Nova Indústria Brasil (NIB)”. O encontro reuniu representantes do governo federal, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do BNDES para discutir os avanços e os próximos passos da política industrial que está sendo redesenhada para reposicionar o Brasil no cenário produtivo global.

Abrindo o debate, o mediador Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da CNI, destacou que a retomada de uma política industrial no país é uma resposta necessária diante das transformações geopolíticas e dos desafios estruturais internos. “Não ter uma política industrial é uma escolha injusta com o país. A complexidade do cenário brasileiro, os entraves regulatórios e o alto custo Brasil exigem uma resposta coordenada e ambiciosa. A política industrial serve para gerar um ambiente econômico de qualidade”, afirmou Silveira.

Ele ressaltou ainda que o programa Nova Indústria Brasil marca um novo ciclo, com ênfase na digitalização da economia e na integração de instrumentos como crédito, subvenções e propriedade intelectual. “Temos um ano e meio de programa e esse é o primeiro panorama concreto da nossa política industrial”, concluiu.

Missões estratégicas e integração com programas

Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reforçou o caráter estratégico e articulado do NIB. “O programa está vinculado ao Novo PAC e ao Plano de Transformação Ecológica. Ele não nasceu do gabinete de burocratas, mas do diálogo com a sociedade”, pontuou.

Segundo Moreira, o NIB se estrutura em torno de seis grandes missões, com metas bem definidas e um dos princípios que rege as ações o desenvolvimento da indústria brasileira.  “O Brasil é um dos poucos países com potencial real de realizar uma transição energética soberana. Mas precisamos fazê-la com responsabilidade e inteligência, verticalizando cadeias produtivas e gerando tecnologia nacional. Não podemos repetir o erro da indústria fotovoltaica, por exemplo, que é 100% importada, enquanto matamos o setor eólico.”

Ele citou o papel estratégico do SUS para a indústria farmacêutica brasileira como maior comprador público de medicamentos no mundo e a importância de laboratórios públicos para garantir o abastecimento do sistema.

Entre os novos projetos, o secretário anunciou o lançamento de um programa voltado para a criação de data centers no país. “Mas não podemos cair na armadilha da importação pura e simples. Precisamos gerar inovação, adensar a cadeia e garantir empregos de qualidade”, alertou.

Instrumentos financeiros

José Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, destacou o retorno do banco ao apoio direto para a produção industrial. “Estamos coordenando a atuação dos bancos públicos com o objetivo principal de dar suporte à indústria nacional. Isso nunca aconteceu de forma articulada no Brasil”, afirmou.

Entre os instrumentos do BNDES elencados por Gordon está o Plano Mais Produção, voltado à concessão de crédito à indústria, com destaque para linhas específicas de financiamento à difusão tecnológica e à inteligência artificial. “Temos uma Chamada em aberto, neste momento. Estão disponíveis R$ 10 bilhões para projetos de pesquisa e desenvolvimento, com prazo para apresentação de propostas até 15 de setembro. Além disso, novas linhas de apoio às exportações, como capital de giro e pós-embarque, estão sendo operadas em parceria com a Finep”, anunciou.

Gordon também fez um paralelo com o setor agrícola. “O agro há muitos anos conta com o Plano Safra, que injeta R$ 500 bilhões no setor. A indústria nunca teve esse nível de apoio histórico. Agora, temos uma mudança significativa: nunca a indústria brasileira teve tanto dinheiro disponível para investir quanto agora”, assegurou.

O painel foi marcado por uma mensagem clara: o Brasil está diante de uma oportunidade histórica de reconstruir sua base industrial, com foco na inovação, na sustentabilidade e na soberania tecnológica. O NIB se apresenta como um esforço coordenado e estratégico para colocar a indústria no centro do desenvolvimento nacional.“Nosso desafio é não fazer política industrial apenas por fazer. É fazer com propósito, com ambição, com foco no futuro do país”, finalizou Uallace Moreira.

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