Relatórios de sustentabilidade ganham papel estratégico na agenda ESG da indústria
Evento do Sistema FIEB reuniu especialistas e líderes empresariais para discutir como os relatórios de sustentabilidade se consolidaram como instrumentos de gestão, transparência e acesso a mercados


Mais do que documentos de prestação de contas, os relatórios de sustentabilidade têm se consolidado como ferramentas estratégicas para a gestão ESG, fortalecimento da governança e ampliação da competitividade das empresas. Esse foi o principal tema debatido durante o evento Conexão com Stakeholders: Alinhando ética, transparência, conformidade e agregação de valor na comunicação, promovido pelo Sistema FIEB e que marcou o lançamento da 7ª edição do Relatório de Sustentabilidade do Sistema FIEB (2024-2025).
O encontro reuniu representantes de grandes indústrias baianas, especialistas em sustentabilidade e governança corporativa para compartilhar experiências sobre a elaboração dos relatórios e discutir como a comunicação transparente com stakeholders vem se tornando um fator decisivo para geração de valor e acesso a novos mercados.
Na abertura do evento, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, destacou a importância de ampliar o diálogo sobre sustentabilidade em um cenário de crescentes exigências da sociedade e do mercado. Para ele, a indústria tem o desafio de demonstrar, por meio de resultados concretos, seu compromisso com a preservação ambiental, a gestão responsável dos recursos naturais e a busca por soluções inovadoras capazes de conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
“A sociedade está cada vez mais consciente da necessidade de preservar o meio ambiente e utilizar os recursos naturais de forma eficiente. Nesse contexto, é fundamental valorizar as boas práticas e mostrar que a indústria tem papel importante na construção das soluções para os desafios ambientais”, afirmou.
Já o superintendente da FIEB, Vladson Menezes, ressaltou o potencial da Bahia para liderar iniciativas ligadas à transição energética e à economia verde. “Sustentabilidade é competitividade. Temos condições excepcionais para fazer da Bahia uma referência nesse processo e posicionar a indústria baiana alinhada às demandas da economia global.”
O evento também evidenciou o papel do Sistema FIEB no apoio às indústrias baianas na construção de práticas ESG cada vez mais consistentes. A gerente de Desenvolvimento e Sustentabilidade da entidade, Arlinda Negreiros, destacou que a atuação da Federação busca orientar e preparar as empresas para os desafios regulatórios e de mercado. “O que temos feito é antecipar tendências, orientar, capacitar e apoiar as empresas para que estejam preparadas para atender às exigências legais e às expectativas da sociedade”, afirmou.
Transparência baseada em evidências

Durante o primeiro painel, o diretor de Engajamento e Parcerias do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Rodrigo Favetta, destacou que os relatórios de sustentabilidade se tornaram instrumentos essenciais para transformar compromissos ESG em evidências concretas. Segundo ele, governança, ética e conformidade deixaram de ser elementos periféricos da estratégia empresarial para se tornarem requisitos fundamentais para acesso a crédito, investimentos e oportunidades de negócios.
“Hoje a transparência é a nova moeda da confiança. Clientes, fornecedores, financiadores e investidores não querem apenas declarações de intenção. Eles exigem dados, rastreabilidade e informações verificáveis. Os relatórios de sustentabilidade são fundamentais nesse processo”, afirmou.
Favetta ressaltou que empresas com estruturas sólidas de governança e compliance conseguem reduzir riscos, fortalecer a confiança dos stakeholders e ampliar sua atratividade junto ao mercado.
ESG como diferencial competitivo
O jurista e especialista em mercado de carbono Gustavo Vilas Boas abordou o papel dos relatórios de sustentabilidade diante das novas exigências internacionais relacionadas a ESG. Ele destacou que regulamentações como o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) e o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR) reforçam a necessidade de as empresas apresentarem indicadores consistentes e informações auditáveis sobre seus impactos ambientais, sociais e de governança.
“A comunicação responsável precisa ser verificável. O mercado quer números, indicadores e documentos. ESG deixou de ser apenas uma narrativa reputacional e passou a ser uma ferramenta estratégica para geração de negócios”, destacou.
Para o especialista, organizações que conseguem demonstrar seu desempenho por meio de relatórios estruturados ganham vantagens competitivas e ampliam suas possibilidades de atuação nos mercados internacionais.
Cases mostram relatórios como instrumento de gestão
O segundo painel reuniu representantes de empresas que compartilharam suas experiências na construção dos relatórios de sustentabilidade e os benefícios alcançados a partir desse processo. A gerente de ESG e Gestão de Crise da Acelen, Ludmila Ribeiro, explicou que o relatório da companhia é um reflexo da estratégia corporativa e do amadurecimento da agenda ESG dentro da organização.
“As questões ESG são tratadas dentro da gestão da empresa. O relatório não é um produto isolado, mas resultado do envolvimento de diferentes áreas e da evolução do negócio”, afirmou.
Para a coordenadora de Sustentabilidade e líder do Núcleo de Inteligência de Dados da Bracell, Andressa Silva, o documento representa a consolidação de um processo estruturado de gestão. “O relatório é o resultado de um trabalho robusto que mobiliza diversas áreas da empresa. É uma ferramenta importante para dialogar com comunidades, investidores, instituições financeiras, certificadoras e demais partes interessadas”, explicou.
Na avaliação da especialista em ESG da Galvani, Patrícia Figueiredo, o relatório teve papel decisivo no fortalecimento das relações institucionais da empresa. “O processo permitiu consolidar temas relacionados a riscos climáticos, diversidade, inclusão e gestão de fornecedores. Além disso, fortaleceu a transparência e ampliou a confiança de clientes, investidores, fornecedores e comunidades”, destacou.
Já o diretor financeiro da Pan American Silver, André Souza, enfatizou os resultados financeiros associados à evolução das práticas ESG. “No fim do dia, os relatórios impactam diretamente o custo de capital. Conseguimos acessar crédito em melhores condições e fortalecer nossa capacidade de crescimento. O principal é que o relatório nasce de um processo de escuta das comunidades e da gestão dos temas materiais do negócio”, afirmou.
A especialista em sustentabilidade da PetroReconcavo, Mila Macedo, classificou o documento como uma das mais importantes ferramentas de comunicação corporativa. “É o documento que traduz tudo o que fazemos, nosso modelo de negócio, nossos impactos e nosso compromisso com a transparência”, disse.
Representando a Veracel, o diretor de Sustentabilidade e Relações Corporativas, Luiz Henrique Tapia, destacou a importância das certificações e normas na construção dos relatórios. Atualmente na 16ª edição de seu relatório de sustentabilidade, a empresa utiliza o documento “como instrumento de diálogo com a sociedade e de compartilhamento de valor”.