Projeto Governança no Reciclar capacita 24 cooperativas de catadores da Bahia em gestão

Vinte e quatro associações e cooperativas de catadores e catadoras de materiais recicláveis de 15 municípios, distribuídos por 10 territórios de identidade da Bahia, estão concluindo o ciclo de qualificação do Projeto Governança no Reciclar, após cerca de um ano de atividades. Com investimento de R$ 300 mil, o projeto foi realizado por meio do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi).
O principal objetivo da iniciativa – realizado pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, Sebrae e Instituto Euvaldo Lodi (IEL), com apoio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte – Setre, das empresas Wilson Sons e CarbonGreen e da ONG CAMA – foi aprimorar a gestão, fortalecer a governança e ampliar a capacidade produtiva das cooperativas e associações, garantindo melhores condições de trabalho, maior eficiência operacional e mais competitividade no setor da reciclagem.
Durante o período de execução, as organizações receberam capacitações e consultorias especializadas nas áreas de gestão, finanças, vendas, processos, produtividade e governança, visando consolidar um modelo profissional e sustentável de atuação. “Este projeto tem um papel importante para fomentar a competitividade e, através da governança, contribuir para que as cooperativas e associações tenham sustentabilidade própria”, apontou o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos.
A superintendente do IEL Bahia, Edneide Lima, destacou a importância estratégica dessa qualificação. “O Procompi apoia micro e pequenas indústrias para que ampliem sua atuação. Este projeto é ainda mais relevante por fortalecer a economia circular, alinhado às boas práticas de ESG, com foco em governança e sustentabilidade”, afirmou.
Para Luiz Hermida, diretor da CarbonGreen e da FIEB, o projeto reforça o compromisso com a agenda ambiental e social. Ele reforçou ainda a importância da parceria com o Sebrae e lembrou que a Bahia possui 17 projetos Procompi em andamento, muitos relacionados a temas estratégicos como descarbonização e economia circular.
Representantes das instituições parceiras ressaltaram que o projeto consolidou uma ampla articulação entre setor produtivo, Estado e cooperativismo. Tércio Calmon, coordenador de Indústria do Sebrae, lembrou que a Bahia se destaca nacionalmente em número e relevância temática dos projetos Procompi, especialmente na área ambiental. “O projeto plantou uma semente, e temos planos de novos desdobramentos”, afirmou. Já Adriana Medeiros, da Wilson Sons, destacou o papel transformador da iniciativa: “É gratificante participar de uma cadeia que ressignifica materiais e mitiga resíduos e impactos. Esta experiência tende a inspirar outras cidades do país”.
Segundo Hermida, ao longo da jornada “muitas ideias nasceram, como o Fórum Nordeste de Economia Circular”, e o engajamento dos parceiros – incluindo o BNB – foi decisivo para ampliar o alcance da ação. A Setre, por sua vez, expandiu o projeto para mais cooperativas, reconhecendo sua importância em um momento em que temas ambientais ganham ainda mais relevância internacional. Para o superintendente de Economia Solidária da Setre, Wenceslau Júnior, “num momento em que a COP 30 evidencia a urgência climática, é motivo de comemoração ver empresas, sociedade e Estado unidos para enfrentar a questão dos resíduos recicláveis e estruturar uma cadeia complexa que envolve mercado, escala e relação com a indústria”.
Catadores destacam transformação
A cerimônia de encerramento contou com depoimentos de lideranças das cooperativas dos municípios participantes. Carissa Araújo Santos, presidente da AACRRI (Itabuna), ressaltou o impacto direto da qualificação na rotina do grupo. “A capacitação qualificou o nosso trabalho. Muitos catadores não puderam estudar, e essa foi uma grande oportunidade. Levamos o conhecimento para a associação, e conhecimento é tudo”, afirmou.
Jerônimo Bispo, presidente da Cooperativa de Materiais Reciclaveis de Camaçari (Coopimarc), destacou o avanço do movimento de catadores ao longo dos anos. “Minha maior alegria é ver o quanto crescemos. Em 2005, éramos poucos; agora somos muitos. Precisamos de profissionalismo e de compreender que somos empresas. As cooperativas fazem parte de um sistema que exige gestão”.
Segundo dados apresentados na conclusão do projeto, 63% das cooperativas participantes alcançaram alta eficiência, reflexo direto do fortalecimento da gestão e da capacidade produtiva proporcionados pelo Governança no Reciclar.
Com o encerramento desta etapa, as instituições parceiras afirmam que o projeto deixa um legado de organização, eficiência e visão de futuro, abrindo caminho para a consolidação da economia circular como vetor de desenvolvimento sustentável na Bahia.