Projeto de descarbonização da cadeia de fornecedores da PetroReconcavo fortalece gestão ESG de micro e pequenas indústrias baianas

Iniciativa realizada por meio do PROCOMPI capacitou fornecedores e deixou legado de práticas sustentáveis para a cadeia de petróleo e gás na Bahia
No início de junho, foi concluído o Programa de Descarbonização da Cadeia de Fornecedores do Segmento de Petróleo e Gás (BA-96), desenvolvido no âmbito do PROCOMPI – Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias. A iniciativa reuniu esforços da PetroReconcavo, empresa âncora do projeto, em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL Bahia), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sebrae e Senai Cimatec.
O projeto teve como principal objetivo fortalecer a gestão ESG das micro e pequenas indústrias fornecedoras e potenciais fornecedoras da PetroReconcavo, com foco especial na agenda climática, na descarbonização e no gerenciamento de resíduos sólidos. As atividades foram iniciadas em outubro de 2025 e envolveram ações de capacitação e consultorias especializadas voltadas ao desenvolvimento de estratégias relacionadas ao conceito de Net Zero, transição energética e gestão ambiental.
A execução técnica do projeto ficou sob responsabilidade do Senai Cimatec, que estruturou as atividades em etapas integradas. O programa incluiu workshops de sensibilização e capacitação sobre descarbonização, elaboração de inventários de gases de efeito estufa (GEE), planos de gerenciamento de resíduos sólidos (PGRS) e práticas ESG. Também foram realizados diagnósticos e consultorias personalizadas para empresas selecionadas.
Para Fábio Góis, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da PetroReconcavo, a iniciativa reforça a importância do desenvolvimento conjunto da cadeia produtiva. “Na PetroReconcavo, enxergamos nossos fornecedores como parceiros estratégicos e entendemos que só é possível avançar de forma consistente quando evoluímos juntos. O PROCOMPI reflete essa visão ao compartilhar conhecimento sobre temas ambientais cada vez mais relevantes para o mercado, com foco na aplicabilidade prática, especialmente para micro e pequenas indústrias. Mais do que uma iniciativa de capacitação, buscamos contribuir para que nossos parceiros estejam cada vez mais preparados para os desafios atuais e futuros, fortalecendo uma gestão mais sustentável e resiliente em toda a nossa cadeia de valor”, destaca.
Ao todo, foram mapeados 336 fornecedores da cadeia da empresa, dos quais 215 são micro e pequenas empresas (MPEs). Pelo menos 25 empresas participaram das etapas coletivas e oito micro e pequenas indústrias foram selecionadas para receber consultoria individualizada, seguindo critérios definidos em conjunto com a empresa âncora. “Entre os principais resultados alcançados estão a elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa dos Escopos 1 e 2, a estruturação de Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, a capacitação técnica das equipes envolvidas e a identificação de oportunidades para redução de emissões relacionadas principalmente ao consumo de combustíveis e ao uso de energia”, explica a gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEB, Arlinda Negreiros.
Além dos ganhos técnicos, o projeto promoveu avanços significativos na maturidade ESG das empresas participantes, especialmente no eixo ambiental, ao transformar conceitos complexos de descarbonização em ferramentas práticas aplicáveis ao cotidiano das operações. Durante a execução do projeto, foram identificados desafios comuns entre as empresas participantes, como o baixo conhecimento técnico sobre inventários de emissões, dificuldades na identificação e quantificação das fontes emissoras, limitações na gestão de dados operacionais e a necessidade de estruturar estratégias de mitigação de emissões.
Segundo Sandra Pasta, gerente de Negócios do IEL Bahia, a iniciativa gerou resultados importantes para as empresas participantes. “Mesmo em curto prazo, os resultados já demonstram impactos positivos na organização das empresas, com maior sistematização de dados ambientais, desenvolvimento de visão estratégica sobre sustentabilidade, melhoria da capacidade de atendimento às exigências de grandes contratantes e preparação para futuras regulamentações relacionadas às mudanças climáticas”, pontuou.
No aspecto da competitividade, o projeto contribuiu para o fortalecimento da gestão das micro e pequenas indústrias fornecedoras, ampliou a aderência aos critérios ESG exigidos pelo mercado e promoveu maior alinhamento da cadeia produtiva às diretrizes de descarbonização. A iniciativa também criou uma base técnica importante para o planejamento sustentável e a tomada de decisões estratégicas.