Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaque de encontro da FIEB no evento IBEM

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) promoveu, nesta terça-feira (24), mais uma iniciativa voltada ao fortalecimento da agenda ESG (ambiental, social e governança) no setor industrial. Realizado na Arena ESG do IBEM*, o encontro reuniu especialistas, executivos e representantes de empresas para apresentar cases práticos que demonstram como os princípios ESG vêm sendo aplicados em projetos de energia renovável e na interação das empresas com a comunidade.
Com o tema “ESG, fator de competitividade e responsabilidade socioambiental”, a abertura foi conduzida por Arlinda Negreiros, gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEB. Em sua fala, ela destacou a evolução do ESG no ambiente empresarial, deixando de ser apenas discurso para se consolidar como um elemento estratégico de geração de valor.
Arlinda ressaltou o papel da FIEB como articuladora dessa agenda na Bahia, conectando empresas, inovação e desenvolvimento sustentável. Ela mostrou como a instituição atua como indutora de práticas que minimizam riscos, fortalecem a segurança jurídica e ampliam o engajamento empresarial, além de promover educação e espaços de diálogo sobre o tema. “O ESG se trata de mentalidade. Quando o decisor compreende a importância dessas questões, isso se reflete em toda a cadeia produtiva e nos resultados da empresa”, afirmou.
A programação contou com a apresentação de diversos cases empresariais. Alan Falcão, da Marwind Energias Renováveis, abordou o conceito de “ESG invisível” no desenvolvimento de projetos, destacando a importância de incorporar a sustentabilidade desde a fase inicial e de manter diálogo constante com as comunidades impactadas.
Na sequência, Daniela Oliveira, da Goldwind Camaçari, apresentou práticas adotadas na fábrica, como reciclagem de equipamentos, auditorias externas em direitos humanos e ações de segurança do trabalho. Ela também destacou iniciativas de integração cultural entre Brasil e China, treinamentos contínuos e a criação de um comitê interno de ESG.
O tema da descarbonização ganhou destaque na apresentação de Beatriz da Cruz Pita, da Carbô, que defendeu a mudança de percepção do setor empresarial. “A descarbonização ainda é vista por muitas empresas como custo, quando, na verdade, é uma oportunidade”, pontuou.
Bruna Neves Napoli, da Casa dos Ventos, apresentou a atuação junto à comunidade quilombola de Gruta dos Brejões, no interior da Bahia, evidenciando impactos sociais diretos em uma população de cerca de 300 pessoas. “Toda ação desta natureza deve ter como norteador a escuta da comunidade. Elas é que vão nos dizer o que é prioridade”, pontuou.
Outros exemplos incluíram iniciativas de investimento social privado, como as apresentadas por Scheila Tatiana Macedo, da Renova Energia. No caso da Renova, foi destacado o uso de editais com forte adesão comunitária, reforçando o protagonismo local em projetos sociais — um modelo voluntário, mas estratégico para o desenvolvimento sustentável.
Riane Rosa, da SOWITEC, também reforçou a importância da aplicação do ESG ainda na fase de desenvolvimento dos projetos, garantindo maior alinhamento entre impacto ambiental, retorno econômico e benefícios sociais.
Ao longo do evento, ficou evidente que o investimento social privado, embora não seja uma exigência legal, tem se consolidado como uma ferramenta relevante para transformar realidades locais, especialmente em regiões impactadas por empreendimentos de energia renovável.
* O iBEM é uma feira e conferência pioneira, que acontece entre 24 e 26 de março, em Salvador, no Centro de Convenções da capital, reunindo todos os setores de energia e acelerando o papel do Brasil como referência mundial em diversidade, integração e eficiência energética.