Movimento Bahia pela Educação forma lideranças escolares para transformar a gestão pública
Iniciativa reúne especialistas nacionais e diretores municipais em seminário com certificação da USP

A busca por uma gestão escolar mais eficiente e transformadora ganhou força na Bahia. Diretores e secretários municipais de Educação de todo o estado participaram, em Salvador, do I Ciclo de Seminários – Formação de Lideranças Transformacionais para a Escola, promovido pelo Movimento Bahia pela Educação, com certificação do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA/USP Ribeirão Preto).
O evento, realizado nesta quarta-feira (12), e com um segundo encontro agendado para 5.12, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), reuniu especialistas e gestores comprometidos com a melhoria da educação pública. Com carga horária total de 15 horas, a formação abordou as dez competências gerais do diretor escolar, conforme o Parecer CNE/CP nº 04/2021, e discutiu os desafios contemporâneos da gestão educacional, incluindo o papel da Inteligência Artificial na aprendizagem.
Durante o seminário, os participantes debateram temas como gestão de pessoas e recursos, inovação pedagógica, mediação de conflitos, cooperação intersetorial e integração escola-família-comunidade — todos pilares das competências definidas pelo Conselho Nacional de Educação. A mensagem central do ciclo de seminários foi clara: não existe escola de qualidade sem boas lideranças. A profissionalização da gestão escolar é hoje um caminho incontornável para garantir resultados de aprendizagem e reduzir desigualdades.
“O diretor escolar precisa inspirar sua equipe e criar um ambiente de engajamento e propósito. Modelos verticais têm vida curta; é preciso mobilizar as pessoas para que cada estudante aprenda com qualidade. Gestão de pessoas é a parte mais difícil, mas também a mais decisiva. O diretor precisa agir como líder de equipe, não como chefe”, destacou Mozart Neves Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira do IEA/USP e consultor técnico do Movimento.
Liderança transformacional – Em sua apresentação, Ramos trouxe pesquisas internacionais e nacionais que reforçam a importância da liderança escolar para o sucesso dos estudantes. De acordo com Hanushek, Branch e Rivkin (2013), um diretor efetivo pode ampliar o aprendizado dos alunos em até sete meses adicionais no mesmo ano letivo. No Brasil, Filomena Siqueira (FGV-SP, 2020) identificou que a liderança escolar tem impacto direto no desempenho, representando um ganho de até 12 pontos nas notas do SAEB em Língua Portuguesa e Matemática.


Esses dados sustentam a proposta do Movimento, que defende a formação de lideranças transformacionais como condição indispensável para o avanço da educação pública. Para Kátia Smole, diretora-executiva do Instituto Reúna, a transformação começa pela valorização da escola como centro do processo educacional.
“A sala de aula não é a ponta, é o centro da educação. A base não é apenas o currículo, mas o conjunto de saberes a que todo cidadão brasileiro precisa ter acesso”, afirmou.
“Este curso é um primeiro passo para uma formação baseada em evidências e experiências reais. É uma entrega concreta em favor da educação pública de qualidade”, resumiu Cléssia Lobo, superintendente executiva de educação e cultura do SESI Bahia.
Compromisso com a alfabetização e a equidade
O Movimento Bahia pela Educação foi lançado em outubro de 2025 como uma ação conjunta da FIEB, UPB, SEBRAE-BA, MPBA, FETRABASE e outras instituições públicas e privadas. O foco inicial está na alfabetização de todas as crianças até o 2º ano do Ensino Fundamental, em alinhamento com o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação.
O presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, ressaltou que a mobilização é também uma oportunidade de reconstrução social e econômica: “Não teremos um estado sustentável se não melhorarmos nossos níveis educacionais. A alfabetização é a fundação que permite à criança seguir sua jornada de aprendizagem. A Bahia pode aprender com a própria Bahia.”
Para Camila Amorim, diretora de Formação do Instituto Anísio Teixeira, que veio representando a secretaria estadual de educação, o sucesso da política educacional depende da cooperação entre Estado e municípios: “Desde 2020 trabalhamos em regime de colaboração para oferecer formação continuada aos gestores. A base de tudo é atuar com evidências e planejar de forma assertiva”, disse.
A formação contou também com a participação do prefeito de Aratuípe, Marco Antônio Araújo, que representou a União dos Municípios da Bahia (UPB), e o diretor-superintendente do SESI Bahia, Armando Neto.