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18 de setembro de 2026

FIEB reúne especialistas para debater nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental

FIEB Indústria Sustentabilidade
Evento detalhou mudanças trazidas pela Lei Geral de Licenciamento Ambiental. Fotos: Antônio Cavalcante/Coperphoto/Sistema FIEB.

As mudanças trazidas pela nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (LGLA), Lei Federal nº 15.190/2025, e seus impactos para o setor produtivo foram tema de debate realizado nesta quinta-feira (17), na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador. Estruturado pelas Gerências Jurídica e de Desenvolvimento Sustentável da entidade, o Fórum LGLA – Novas Regras Ambientais e Impactos na Indústria Baiana convidou representantes do setor empresarial, especialistas, advogados e gestores públicos para discutir os desdobramentos da legislação nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Na abertura do evento, o Gerente Jurídico da FIEB, Tácio Ribeiro, ressaltou os objetivos do encontro: Ampliar o conhecimento sobre as alterações no marco regulatório, discutir os desafios de sua implementação e aproximar os diferentes atores envolvidos nos processos de licenciamento ambiental na Bahia. Em seguida, o presidente da Federação, Carlos Henrique Passos, destacou a importância do tema não apenas para as empresas, mas para o desenvolvimento econômico e social da Bahia. “O setor industrial não tem nada contra o licenciamento ambiental. O que buscamos, acima de tudo, é que haja agilidade nas análises e nas definições de aprovação ou não aprovação, para que se possa reduzir o custo da inércia”, afirmou.

Passos lembrou ainda que a Bahia reúne importantes potencialidades para a atração de investimentos, como recursos naturais, produção de energia renovável, mineração e agropecuária. Entretanto, a demora na análise de processos pode comprometer oportunidades de investimentos e de geração de empregos.

 Na sequência, Arlinda Negreiros, gerente de Desenvolvimento Sustentável da FIEB, apresentou a atuação da entidade na agenda ambiental e na defesa de interesses do setor produtivo, destacando a importância da participação empresarial na construção e no aprimoramento das políticas públicas, além da necessidade de qualificação das empresas para o atendimento aos requisitos legais e mercadológicos ambientais. “Aqui é a casa do diálogo. Conectar setor industrial, governos, empresas e sociedade é parte fundamental da construção de soluções capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável da indústria da Bahia”, afirmou.

Nova legislação

 O primeiro painel do fórum tratou das mudanças introduzidas pela nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, com participação de Marcos Abreu Torres, advogado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do advogado e consultor Marcos Machado e de Geane Almeida, engenheira ambiental e assessora técnica da Gerência de Desenvolvimento Sustentável da FIEB, que apresentou um panorama da evolução da legislação ambiental brasileira e baiana, destacando mudanças institucionais e regulatórias ocorridas ao longo das últimas décadas.

De acordo com Geane, a atuação da Federação busca contribuir para o aperfeiçoamento da legislação e, ao mesmo tempo, apoiar as empresas na adequação às normas. “Ao longo de décadas a entidade atua em articulação com a CNI e outras instituições e empresas em iniciativas de capacitação voltadas ao setor produtivo e às cadeias de fornecedores”, explicou.

Já Marcos Abreu Torres destacou que a nova legislação resulta de um longo processo de discussão e amadurecimento institucional. “Desde o início da vigência da nova Lei, do ponto de vista regulatório, estamos num momento muito propicio para o desenvolvimento no país”, avaliou.

O advogado Marcos Machado ressaltou que as mudanças podem simplificar procedimentos, mas também ampliam a responsabilidade atribuída aos empreendedores. Ele chamou atenção ainda para a complexidade da implementação da lei num país com diferentes realidades administrativas e ambientais. Entre os desafios, apontou a adaptação dos municípios às novas regras.  

Outro ponto destacado por ele foi a importância do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) para dar maior previsibilidade aos processos. “A existência de zoneamentos dos estados agilizaria muito o processo de licenciamento, pois já teríamos o mapeamento das áreas em que cada tipo de empreendimento poderia ser erguido”, pontuou.

Municípios no centro da discussão

Representantes dos municípios citaram os avanços e desafios nos seus processos de licenciamento.

No segundo painel, representantes das administrações municipais discutiram os desafios para colocar em prática as novas regras. O debate contou com representantes das secretarias de Desenvolvimento Urbano de Salvador e Camaçari e das secretarias de Meio Ambiente de Simões Filho e Lauro de Freitas.

O Gerente de Licenciamento Ambiental da SEDUR, Yuri Brito, representando o Secretário Sosthenes Macedo,  afirmou que a secretaria possui excelente estrutura com equipe qualificada e multidisciplinar, sistemas procedimentais muito bem definidos e já conta com alguns serviços de licenciamento ambiental com tramitação integralmente digital, com ampliação para realizar um processo totalmente integrado.

A diretora de Licenciamento de Lauro de Freitas, Maiara Santana Borges, destacou entre os desafios do município a necessidade de sistematização dos processos, incluindo a transição de procedimentos que ainda são realizados em meio físico. “Cada município tem sua realidade. No nosso caso, esta digitalização incompleta é o que impacta mais o tempo de execução dos processos de licenciamento”, contou.

A assessora da SEDUR Camaçari, Juliana Neves, destacou o avanço na sistematização dos processos de licenciamento ambiental adotado pela Secretaria, com o uso de estratégias de Inteligência Artificial na etapa inicial de análise dos processos. “A iniciativa busca otimizar os procedimentos, conferir maior agilidade às análises e contribuir para a adequação dos fluxos às diretrizes da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (LGLA)”, disse.

Encerrando o evento, Arlinda Negreiros pontuou que a efetividade da nova legislação dependerá também da capacidade dos municípios de estruturar suas equipes, sistemas e procedimentos para atender às novas exigências, e concluiu, afirmando que “o diálogo entre os envolvidos é fundamental para identificar gargalos e construir soluções”.

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