Oportunidades na cadeia eólica são discutidas em encontro da FIEB

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) realizou, nesta sexta-feira (30), o encontro “Oportunidades para a Cadeia Eólica na Bahia”, reunindo empresas fornecedoras e potenciais fornecedoras interessadas em integrar a cadeia produtiva do setor. O evento apresentou o projeto de investimentos da Goldwind no estado e destacou oportunidades para fornecedores dos segmentos metalmecânico, elétrico, de materiais compósitos, entre outros.
Durante o encontro, representantes da Goldwind reforçaram o compromisso da companhia com o desenvolvimento industrial da Bahia e a consolidação de uma cadeia produtiva cada vez mais robusta e local. Segundo Hilton Lima Barbosa, vice-presidente da FIEB,“a Bahia já conta com uma cadeia estruturada, que ainda tem muito potencial para se desenvolver”, afirmou.
O vice-presidente da Goldwind, Roberto Veiga, destacou que a companhia chegou ao Brasil com o objetivo de investir de forma duradoura. “Viemos para investir e perenizar nossas operações no país”, ressaltou, citando contratos recentes em municípios como Jacobina, Tanque Novo e Camaçari. De acordo com o executivo, o adensamento do cluster eólico na Bahia é estratégico, especialmente diante dos altos custos logísticos. “Queremos que nossos fornecedores sejam, ao máximo, do próprio estado”, pontuou.
Entre os destaques apresentados está o novo projeto de estocagem de energia em Tanque Novo, desenvolvido em parceria com o SENAI Cimatec. A iniciativa prevê a implantação do primeiro Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) integrado a um aerogerador da Goldwind no Brasil. O projeto é considerado pioneiro e representa um avanço tecnológico ao contribuir para a redução da intermitência da geração eólica, atuando de forma complementar à energia solar. A proposta também inclui a criação de um instituto de pesquisa, com foco em inovação e maior independência tecnológica.
O encontro contou também com a participação de Maurício Froner, gerente de Operações da Fábrica de Camaçari, e Marcelo Costa, diretor de Compras da Goldwind, que detalharam as exigências técnicas e os padrões rigorosos de qualificação necessários para integrar a cadeia de fornecedores da empresa.
Para os empresários presentes, a iniciativa representou uma oportunidade de aproximação com um dos grandes players do setor. Igor Lúlio Almeida, da Sky Alp Acesso por Cordas, empresa especializada em serviços de manutenção em altura, destacou o potencial do mercado eólico. “Ainda não atuamos nesse segmento, mas é um mercado muito interessante. Existem oportunidades, embora exijam alta capacitação e um processo criterioso de qualificação”, avaliou. Segundo ele, o contato direto com representantes do alto escalão da Goldwind é um diferencial. “É uma oportunidade única para tirar dúvidas, se apresentar e abrir portas para novos negócios”, afirmou.
Rogério Silveira, da Invest Bahia, reforçou a importância da valorização da mão de obra e da indústria local. “Somos entusiastas da inclusão da mão de obra baiana e do desenvolvimento da nossa cadeia de fornecedores. Ver profissionais locais ocupando espaço dentro das indústrias é motivo de orgulho e demonstra a competência do nosso estado”, destacou. Ele ressaltou ainda que o papel da instituição é orientar novos investidores sobre como desenvolver suas cadeias produtivas na Bahia, reduzindo a dependência de fornecedores de outros estados ou países.
O fortalecimento da cadeia eólica na Bahia também foi impulsionado recentemente pelo contrato firmado entre a EDF Renewables e a Goldwind, que prevê a reativação da Fábrica de Torres de Aço, em Jacobina. A solenidade que oficializou a parceria ocorreu na sede da Goldwind, em Camaçari, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues. A retomada da unidade industrial deve gerar impactos diretos na economia regional, com criação de empregos e reativação da cadeia produtiva ligada à fabricação de componentes eólicos.
Desde agosto de 2024, a Goldwind mantém em Camaçari sua fábrica de aerogeradores — a primeira da companhia fora da China. Com investimento de R$ 150 milhões, a unidade tem capacidade para produzir até 150 aerogeradores por ano, com potência entre 6,2 e 8,3 MW. A expectativa é alcançar de 25% a 30% de participação no mercado brasileiro de turbinas eólicas, gerando cerca de 250 empregos diretos e 750 indiretos.