FIEB promove conversa sobre cenário político e econômico para orientar decisões de investimento da indústria

O cenário político e econômico do Brasil e seus impactos sobre o ambiente de negócios foram o centro das discussões do evento “Política, eleições e desafios futuros: uma conversa sobre cenários, riscos e oportunidades para líderes empresariais”, realizado na noite desta quinta-feira (6), na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador. A iniciativa foi promovida pela FIEB em parceria com o Grupo RGC e reuniu empresários, executivos e representantes do setor produtivo para analisar os desafios e as perspectivas do país no período que antecede as eleições de 2026.
Os palestrantes foram Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional da XP e apresentador da CNN Brasil e da CNN Money, e Paulo Gama, analista político da XP, que abordaram os cenários econômicos, fiscais e eleitorais e seus reflexos para o planejamento estratégico das empresas.
Na abertura do encontro, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, destacou que a previsibilidade é um fator decisivo para a atração de investimentos e que as decisões tomadas pelos governos nos próximos anos terão impacto direto sobre a competitividade da indústria.
Segundo ele, os investimentos exigem planejamento de médio e longo prazo e, por isso, compreender os cenários políticos e econômicos é essencial para o setor produtivo. Passos lembrou que a FIEB realizou recentemente encontros com os candidatos ao Governo da Bahia, apresentando uma agenda construída em conjunto com representantes da indústria, comércio, agricultura, transporte e serviços.
Entre as prioridades apontadas estão questões macroeconômicas, política fiscal, desenvolvimento regional e infraestrutura. “A Bahia possui desafios importantes relacionados à infraestrutura, além de gargalos em áreas como educação, fornecimento de energia e serviços essenciais, fatores que impactam diretamente a competitividade das empresas”, ressaltou.
O presidente também observou que o elevado endividamento público e a manutenção de juros elevados tornam ainda mais difícil a retomada dos investimentos produtivos, reforçando a necessidade de políticas públicas que garantam maior estabilidade e previsibilidade ao ambiente econômico.
Durante o evento, representantes do Grupo RGC reforçaram a importância da parceria com a FIEB na promoção de iniciativas voltadas ao fortalecimento do ambiente empresarial. O CEO da RGC, Roberto Calumby, agradeceu à FIEB pela parceria e afirmou que encontros como esse aproximam lideranças, estimulam a troca de experiências e criam oportunidades para novos negócios.
Já vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado da Bahia (CIEB), Eduardo de Sá destacou a atuação da FIEB e do próprio CIEB como articuladores entre indústria, comércio e terceiro setor, ressaltando iniciativas como o InvestHub, “voltado ao apoio de empresários e investidores interessados em instalar ou expandir empreendimentos industriais na Bahia”, explicou. Ele também lembrou que o Centro das Indústrias completa 60 anos em outubro, reforçando sua trajetória de apoio ao desenvolvimento industrial baiano.
Desafios estruturais da indústria
Em sua palestra, Rafael Furlanetti afirmou que a alocação de capital será determinante para o futuro da indústria brasileira e destacou que o setor enfrenta desafios históricos relacionados ao elevado custo do capital, à baixa produtividade e à necessidade de modernização. Segundo ele, a participação da indústria na economia brasileira vem diminuindo ao longo das últimas décadas, enquanto a produtividade permanece praticamente estagnada há cerca de 20 anos.
O executivo defendeu investimentos em inovação, automação e robotização como caminhos para elevar a competitividade da produção nacional e ressaltou que a educação continua sendo um dos principais fatores para o aumento da produtividade da mão de obra.
Furlanetti também destacou que os juros elevados dificultam a atividade industrial, embora o mercado financeiro tenha ampliado as alternativas de financiamento disponíveis para empresas. Para ele, o equilíbrio das contas públicas permanece como condição indispensável para a redução sustentável das taxas de juros. Ao abordar a reforma tributária, explicou que um dos avanços esperados é a simplificação do recolhimento de tributos, reduzindo o impacto operacional sobre as empresas.
O executivo ainda apontou oportunidades ligadas à transformação digital, como a expansão de data centers e o uso crescente da inteligência artificial para ganhos de eficiência nos processos industriais. Apesar dos desafios, transmitiu uma mensagem otimista sobre o futuro do país, afirmando que o Brasil reúne condições para crescer desde que avance em reformas estruturais e em políticas capazes de ampliar a competitividade.
Cenário eleitoral
Na análise política, Paulo Gama observou que o ambiente eleitoral de 2026 tende a permanecer marcado pela polarização, embora o quadro político apresente maior fragmentação em relação aos últimos pleitos. Segundo ele, o país continua dividido e a disputa deve ser fortemente influenciada pelos elevados índices de rejeição entre os principais grupos políticos, exigindo atenção redobrada dos agentes econômicos quanto aos possíveis desdobramentos do processo eleitoral.