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4 de março de 2026

Da Cidade Baixa para o mundo: jovem de 16 anos mostra como a educação rompe fronteiras

Educação Escola SESI Robótica SESI

Estudante do SESI é uma das 10 brasileiras a obter bolsa integral para participar de intercâmbio global em universidade americana e na China

Alessandra Cardim está entre os 10 estudantes brasileiros contemplados com bolsa de intercâmbio Fotos: Antônio Cavalcante/Coperphoto/Sistema FIEB

Aos 16 anos, a estudante Alessandra Cardim, baiana do bairro da Pedra Furada, na região da Cidade Baixa, em Salvador, está entre os 10 estudantes brasileiros selecionados para participar do AFS Global STEM Academies 2026, programa que oferece bolsas integrais para jovens de 15 a 17,5 anos.

O programa, focado em sustentabilidade e nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática), combina 12 semanas de aprendizado virtual em uma universidade norte americana, com quatro semanas de imersão presencial na China, Egito ou Índia. Alessandra foi selecionada para ir à China, com todas as despesas custeadas pelo AFS Global. Ao final do programa, ela receberá o Certificado Avançado em Competência Global para Impacto Social, concedido pela AFS e pela Universidade da Pensilvânia.

A AFS é uma organização internacional, educacional, voluntária e sem fins lucrativos, que oferece oportunidades de aprendizagem intercultural. Alessandra descobriu a oportunidade ao vasculhar as redes sociais. Antes, ela havia sido selecionada para participar de uma simulação da ONU nos Estados Unidos, mas não conseguiu bolsa para custear as despesas e acabou tendo que desistir. A nova possibilidade surgiu para dar ânimo à estudante.

Aluna do 3º ano da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, localizada no bairro do Retiro, em Salvador, Alessandra foi selecionada entre mais de 7 mil inscritos no Brasil. O processo envolveu candidatos de mais de 15 países. Apenas 142 jovens em todo o mundo foram escolhidos. Ainda eufórica com o resultado, Alessandra acredita que conseguiu a vaga graças a uma soma de fatores que passam pelo seu processo de aprendizado e experiências na Escola SESI.

SIMULAÇÕES DA ONU

Alessandra ingressou na rede educacional do Serviço Social da Indústria (SESI) na Bahia como bolsista, em 2024. Desde sempre com o olhar direcionado para além das fronteiras da Bahia, uma das suas primeiras iniciativas ao ingressar na Escola SESI foi se inscrever no Clube de Relações Internacionais como atividade extracurricular.

O Clube promove, no turno oposto das aulas, simulações da ONU em que os estudantes assumem o papel de diplomata para debater questões globais reais. O objetivo é desenvolver habilidades de negociação, oratória e pensamento crítico.

Na escola, além do clube, Alessandra também se inscreveu na Iniciação Científica e na Liga de Robótica da Escola SESI, o que abriu espaço para que ela fizesse parte da atual formação da escuderia Seven, equipe da Escola SESI Reitor Miguel Calmon que já foi três vezes campeã nacional e representou o Brasil no torneio mundial da STEM Racing™, modalidade de robótica estudantil adotada pelo SESI.

FESTIVAL DE ROBÓTICA

Terceira à direita do grupo, Alessandra é líder da Equipe Seven, tri campeã nacional na STEM Racing

A etapa nacional da STEM Racing™ deste ano, inclusive, será disputada esta semana em São Paulo – entre os dias 5 e 8/3 – e vai reunir 48 escuderias de diversos estados do Brasil em busca de vaga para representar o Brasil no mundial. Alessandra, que é líder da equipe, espera voltar de lá com mais uma conquista.

“Temos um legado muito forte e uma responsabilidade muito grande de ir para o Nacional representando a Seven. É um orgulho estar fazendo parte dessa história”, conta a estudante que, além de líder, é também gerente de Sustentabilidade na escuderia Seven.

A equipe chega em São Paulo, levando da etapa regional, disputada no final do ano passado, 5 das 7 premiações da modalidade STEM Racing™. Para a disputa nacional há segredos que a equipe guarda a sete chaves.

SUSTENTABILIDADE

Atenta ao seu entorno, ela desenvolveu na Iniciação Científica um projeto que avalia a presença de metais pesados nos mariscos e peixes da baía de Todos os Santos. O projeto surgiu da percepção da realidade da comunidade em que vive, onde há muitos pescadores, e do seu interesse pela sustentabilidade.

A estudante conta que na primeira etapa de seleção ele teve que entregar uma série de redações em inglês nas quais pode detalhar as atividades extracurriculares que ela desenvolveu, algo muito valorizado pelo programa da AFS.

Além disso, o processo previa o envio de cartas de recomendação e uma delas foi do técnico da Seven, o professor Robson Nunes, que falou da experiência dela na escuderia. “Acredito que tudo isso contribuiu para que eu fosse uma das 30 selecionadas para a segunda etapa, que era uma entrevista em inglês”, conta.

Para Clessia Lobo, superintendente executiva de Educação e Cultura do SESI Bahia, a conquista de Alessandra é motivo de orgulho para a instituição e sintetiza a dedicação das equipes pedagógicas e o investimento diário para levar os alunos cada vez mais longe.

“Muito nos orgulha a conquista de Alessandra, enquanto reconhecimento individual do seu esforço e comprometimento. A conquista dela também reforça o potencial transformador do trabalho que a gente desenvolve no dia a dia com nossos estudantes e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, destaca Clessia.  “Além disso, considerando que estamos no mês da Mulher, temos a prova de que vale a pena instigar as meninas para que elas também se vejam nas áreas STEM, com a ciência e a tecnologia ampliando suas possibilidades”, ressalta.

Nascida e criada na Pedra Furada, próximo ao Bomfim, em Salvador, Alessandra Cardim é filha única. Seu pai trabalha na área de segurança patrimonial e a mãe como recepcionista. Ela conta que sempre percebeu o sacrifício deles para que ela tivesse uma boa educação e sempre procurou honrar o esforço dos pais. A virada de chave, na avaliação dela, foi passar no processo seletivo para bolsas do SESI.

Ela conta que em 2018, a mãe dela quebrou a barreira familiar de acesso ao ensino superior quando começou a cursar Biologia. “Foi uma época que a gente passou muito sufoco financeiro para ela conseguir se formar e aquilo serviu de inspiração para mim”, revela.

Quando recebeu a notícia que foi selecionada para o intercâmbio da AFS, “ver os olhos deles brilhando e o sorriso da minha mãe e do meu pai fizeram tudo valer a pena”, confessa a estudante. “Eu nasci no Bonfim e minha vida inteira foi naquela região. Apesar de nunca ter saído de lá, sempre tive aquela vontade de conhecer o mundo. Entendi que minha família estar vinculada àquela realidade não era um fator que me limitava a buscar novos caminhos”, filosofa.

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