CONEXÃO INDÚSTRIA: Silvio Comin analisa desafios do Polo de Tecnologia de Ilhéus e perspectivas para a indústria tecnológica baiana
Em entrevista ao programa Conexão Indústria, da Rádio ALBA, Silvio Comin, diretor industrial da Daten Tecnologia, presidente do SINEC – Sindicato das Indústrias de Informática e Eletrônica de Ilhéus, conselheiro do CEPED e membro da Câmara Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, fez uma análise ampla sobre o cenário atual da indústria de tecnologia na Bahia, com foco especial no Polo de Informática de Ilhéus.
Durante a conversa, Silvio destacou que o setor vive um momento de estagnação, sem queda acentuada, mas também sem crescimento expressivo. Segundo ele, apesar de a Bahia ainda abrigar empresas estratégicas e líderes nacionais em seus segmentos, a atração de novos empreendimentos ocorre de forma tímida, exigindo ações estruturantes para recuperar a competitividade do polo.
O diretor industrial ressaltou o papel histórico da FIEB na criação e consolidação do Polo de Informática, desde a articulação institucional até o apoio à formação do sindicato setorial. Para ele, sem essa parceria, o polo não teria alcançado a relevância nacional que chegou a ter, quando reuniu mais de 50 empresas e se tornou o segundo maior polo tecnológico do país, atrás apenas de Manaus.
Entre os principais entraves ao crescimento, foi apontada a logística como fator crítico, especialmente as limitações do Aeroporto de Ilhéus, que hoje opera com pista reduzida, sem alfandegamento e com restrições operacionais que geram alto índice de cancelamento de voos. A ausência de voos regulares para Salvador e a necessidade de desembaraço de cargas em outras cidades impactam diretamente os custos, os prazos e a competitividade das indústrias instaladas na região.
Apesar das dificuldades, Comin reforçou que o polo ainda abriga empresas de grande relevância nacional, atuando em segmentos como fabricação de microcomputadores, servidores, automação comercial, terminais de pagamento, telecomunicações, drones de uso agrícola e equipamentos estratégicos, como urnas eletrônicas. O desafio atual, segundo ele, é manter as empresas existentes, evitando a evasão industrial, ao mesmo tempo em que se criam condições para atrair novos investimentos.
Como presidente do SINEC, ele destacou a importância do associativismo industrial e da atuação sindical para fortalecer a representatividade do setor. Finalizou defendendo políticas públicas adequadas para ampliar o diálogo com o poder público, bem como a necessidade de integração entre indústria, governo e entidades de apoio para que a tecnologia volte a ser um vetor estratégico de desenvolvimento econômico e inovação para o estado da Bahia.
- Principais assuntos tratados na entrevista com Silvio Comín:
- Cenário atual da indústria de tecnologia na Bahia — [12:58]
Análise do momento de estagnação do setor, com crescimento tímido e desafios para atração de novos empreendimentos. - Perda de competitividade e migração de indústrias — [13:51]
Concorrência entre estados, replicação de incentivos fiscais e retorno de empresas a regiões como o Sul de Minas. - Infraestrutura e logística como entraves ao crescimento — [15:26]
Falta de áreas industriais, escassez de galpões e limitações estruturais da região. - Perfil das empresas instaladas no polo — [27:04]
Diversidade de segmentos tecnológicos, com empresas líderes nacionais em seus mercados. - Importância do associativismo e da atuação sindical — [29:09]
Fortalecimento do SINEC, defesa da indústria local e necessidade de ampliar a representatividade do setor.
O programa Conexão Indústria é uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e a Rádio ALBA, gerida pela Fundação Paulo Jackson, da Assembleia Legislativa da Bahia.