Amcham reúne empresários em Salvador para traçar cenários e prioridades para 2026

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) realizou, na última sexta-feira (27), em Salvador, o evento Plano de Voo 2026, na sede da FIEB. O encontro antecipa cenários e orienta as prioridades do setor empresarial diante de um ambiente econômico e político marcado por incertezas e transformações profundas.
Tradicional leitura anual da entidade sobre o ambiente econômico, político e global, o Plano de Voo consolida análises que ajudam lideranças empresariais a decifrar tendências, redefinir prioridades e ajustar estratégias para o próximo ciclo. No centro da agenda estiveram as projeções macroeconômicas e fatores que influenciam diretamente o ambiente de negócios, como comércio internacional, geopolítica e transformações tecnológicas.
Representando a Amcham, Thiago Mota destacou que o atual contexto de incerteza exige ação coordenada. “O movimento de transformação depende de todos para gerar prosperidade”, afirmou. Ele ressaltou ainda a relevância da relação econômica entre Bahia e Estados Unidos, classificada como substancial, e adiantou a intenção da entidade realizar, em breve, uma missão empresarial à Bahia.
Segundo Mota, a recente ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington reforça a importância estratégica da parceria entre os dois países, baseada em valores compartilhados e na convergência entre duas democracias ocidentais. O encontro, pontuou, contribui para preparar melhor o empresariado e revisar planejamentos.
Um dos destaques da edição foi o lançamento da Pesquisa Plano de Voo 2026, levantamento conduzido pela Amcham Brasil com executivos de diferentes setores e regiões do país. De acordo com o estudo, 53% dos entrevistados defendem que a relação com os Estados Unidos seja prioridade da política externa brasileira. Ao mesmo tempo, 70% apontam as tarifas como principal obstáculo para ampliar os negócios bilaterais.
A sondagem também mapeou os principais desafios para 2026. O ambiente político doméstico, em ano eleitoral, lidera as preocupações, com 73% das respostas. Em seguida aparecem a desaceleração da economia brasileira (51%), a taxa de juros (47%), segurança jurídica e ambiente regulatório (39%), disponibilidade de mão de obra (38%) e o ambiente geopolítico internacional (31%).
Convidado para falar sobre o cenário econômico brasileiro, o economista Armando Avena avaliou que 2025 foi um bom ano para o país. Segundo ele, o nível de investimento surpreendeu positivamente e o conjunto de indicadores se mostrou favorável, o que sustenta uma visão otimista para o curto prazo.
Para Avena, o principal entrave estrutural não é fiscal, mas monetário. Ele criticou a manutenção de juros elevados e afirmou que não há contenção de gastos públicos capaz de sustentar a atual taxa real de juros. “Não há como conter dívida fazendo apenas contenção de gastos”, disse, defendendo a necessidade de uma reforma fiscal estruturante, sobretudo diante do desafio representado pela dívida pública a partir de 2027.
O vice-presidente da FIEB, Sergio Pedreira, abordou os aspectos e o cronograma de implementação da reforma tributária, que vai mexer com a dinâmica de investimentos dos estados, expondo desigualdades regionais. Entre os marcos previstos para 2027 estão a vigência plena da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a extinção do PIS e da Cofins e o fim dos incentivos fiscais relacionados a esses tributos, além do início do Imposto Seletivo (IS). “Os estados vão precisar encontrar formas de lidar com essas diferenças para traçar estratégias de atração de investimentos”, pontuou.