5º Encontro Nacional de Cultura do SESI em Salvador reforça papel estratégico da cultura na indústria

A capital baiana foi palco do 5º Encontro Nacional de Cultura do SESI, que aconteceu de 25 a 27 de agosto, reunindo representantes dos 27 departamentos regionais do Serviço Social da Indústria (SESI) num evento marcado por trocas de experiências, formação continuada e reflexões sobre o papel da cultura como vetor de desenvolvimento social e estratégico para a indústria brasileira.
Promovido pelo SESI Nacional, o encontro destacou a consolidação de uma política nacional de cultura, estruturada em três grandes eixos: formação, gestão e difusão. Com uma programação diversa, incluindo visitas técnicas, palestras, intervenções artísticas e painéis de debates que tiveram como temas principais: Investimento das indústrias em cultura, Parcerias para o desenvolvimento da cultura e experiências SESI no relacionamento com indústrias.
A superintendente de Cultura do SESI Nacional, Claudia Ramalho, ressaltou a importância do evento como espaço de avaliação e alinhamento. “A cada ano realizamos um encontro para avaliarmos nossa atuação, e traçarmos estratégias. Mesmo respeitando as diferenças regionais, buscamos uma unidade de ação nacional”, pontuou durante a abertura do evento.
A gestora da Política de Cultura do SESI, Paula Bosso, também enfatizou o papel dos encontros como espaços de fortalecimento da rede: “São oportunidades de formação continuada, de troca entre temáticas comuns e especificidades de cada território. É fundamental refletirmos sobre o nosso fazer, sobre a economia criativa e os impactos dos nossos espaços culturais nas cidades”, afirmou.
“É um momento rico, com um Brasil inteiro reunido. O encontro ajuda a sistematizar a política de cultura, posicionando essa área como algo essencial para a alma e a vida das pessoas”, acrescentou Clessia Lobo, superintendente Executiva de Educação e Cultura do SESI Bahia.
Com o tema “Cultura e Indústria”, o evento reforçou a cultura como fator estratégico. O superintendente do SESI Bahia, Armando Neto, ressaltou a importância de se apresentar o retorno social dos investimentos na área cultural para que as próprias lideranças da indústria e a sociedade “apreendam essas ações como um valor”, disse.
Para Joana Fialho Magalhães, gerente do SESI Cultura Bahia, anfitriã do evento, o investimento cultural da indústria vai além do patrocínio. “Precisa ser entendido como uma estratégia de inovação, sustentabilidade e reputação. A cultura está alinhada às agendas de ESG e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU”, ressaltou.
Sede simbólica e pesquisas inéditas

A escolha da Bahia para sediar o evento foi celebrada por reunir espaços que mesclam memória e contemporaneidade cultural. Durante a programação, foram apresentados os resultados de duas pesquisas inéditas: Uma delas sobre a percepção da sociedade sobre o SESI, realizada em parceria com a Quaest, tendo como destaques:
- 91% dos brasileiros dizem conhecer o SESI; na Bahia, 85%.
- Apenas 17% conhecem todas as áreas de atuação da instituição.
- A educação é a área mais reconhecida (70%), seguida pela cultura (44%).
- Na Bahia, 60% dizem conhecer a atuação cultural do SESI.
- Quanto mais conhecem o SESI, melhor a imagem da instituição.
A gerente de inteligência da Quaest, Graziele Silotto, destacou a importância da comunicação dos produtos culturais. “Quem mais conhece o SESI são os mais ricos, velhos e escolarizados. Há um espaço importante para ampliar o conhecimento sobre todas as frentes de atuação, especialmente a cultura”, apontou.
Já o estudo sobre economia criativa, fruto de parceria com a FGV, apresentado por Luis Gustavo Barbosa, destacou que:
- Indústrias que consomem criatividade crescem mais que as demais.
- Cerca de 5% da população brasileira atua em ocupações criativas.
- A indústria responde por 36,6% do uso da Lei Rouanet, sendo o setor que mais investe.
- As ocupações criativas apresentam maior crescimento do que outras atividades econômicas.
“A economia criativa é um vetor estratégico para o desenvolvimento industrial. Ela gera inovação e valor agregado, contribuindo diretamente para o crescimento econômico do país”, reforçou Barbosa.
Perspectiva nacional
A fala da assessoria especial do Ministério da Cultura, representada por Carlos Paiva, trouxe o olhar do governo federal sobre o setor: “Existe espaço para criar valor público por meio de um empreendedorismo político criativo. A cultura é terreno fértil para isso, e o SESI tem capacidade de ocupar lacunas que ainda não foram preenchidas.”
Com esse encontro, o SESI reafirma seu compromisso com a cultura como motor de transformação social, inovação industrial e bem-estar coletivo, alinhando práticas regionais a uma visão nacional estratégica e integrada.