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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Gestão da sustentabilidade na indústria frente às tecnologias disruptivas

Uma nova Revolução industrial, denominada Indústria 4.0, configura-se trazendo, por sua vez, grandes desafios tecnológicos, socioculturais e ambientais. Na mesma direção, os novos modelos mentais de desenvolvimento/produção: Economia Circular/Baixo Carbono/Verde, se fortalecem, por meio da consolidação/potencialização da aplicação de instrumentos de gestão nas atividades produtivas: Responsabilidade Social, Análise de Ciclo de Vida/Ecodesign, Produção mais Limpa/Lean Manufacturing, contribuindo dessa forma, para atingir os ODS – Objetivos Propostos para o Novo Milênio – Cúpula das Nações Unidas.

Observar o presente, aprender com o passado e identificar as tendências, oportunidades e riscos associados às probabilidades de rupturas, direcionam as lógicas produtivas construtoras de futuro, não restritas ao chão de fábrica e à lógica linear clássica dos processos produtivos.  Além disso, conhecer a relação dos processos produtivos com as partes interessadas (clientes, comunidades, governos etc) e com os recursos naturais/ecossistemas, é condição essencial para garantir a perenidade dos negócios.

As chamadas tecnologias disruptivas, a exemplo da digitalização da manufatura, a rastreabilidade dos processos, a computação em nuvem e a robótica colaborativa, entre outras, consideradas base da indústria 4.0, integram o mundo real e o digital, constituindo-se em ferramentas essenciais para a sustentabilidade. Assumir essa perspectiva como direcionadora de iniciativas e políticas de inovação e educação/formação profissional, é uma estratégia eficaz de não adensar os passivos sociais e ambientais, a serem acertados no futuro.

A nova Revolução Industrial, para se consolidar, demandará um conjunto de profissionais bem formados e com visão sistêmica sobre os processos de produção, não restrita a perceber economias de eficiência nos processos de produção (chão de fábrica), mas também as oportunidades de geração de valor na conservação dos recursos naturais e ecossistemas e na qualificação da relação com as partes interessadas (engajamento).

Será necessário ainda, repensar e redesenhar chão de fábrica/produtos, cadeias de suprimento e de logística, bem como os modelos de negócios, de forma a contribuir com o aumento da produtividade e da eficiência no uso de recursos como energia, água e outros insumos de recursos naturais e, até mesmo, na capacidade das empresas se integrarem em cadeias globais de valor.

Há estimativas de que, até 2025, processos relacionados à Indústria 4.0 possam reduzir o consumo de energia entre 10% e 20%, promovendo ganhos extraordinários de produtividade, redução de emissões, além de permitir a customização da produção. As tecnologias disruptivas deverão potencializar tudo isso e devem ser orientadas às soluções integradoras, nas quais práticas sustentáveis se viabilizem, via agregação de valor.  

A nova Revolução Industrial no Brasil deve transformar as atividades econômicas e impactar a estrutura de emprego, requisitos de qualificação profissional, a dinâmica de gestão dos estoques de recursos naturais e insumos dos processos produtivos, essenciais na garantia da nossa qualidade vida.

Adotar a agenda 2030, os ODS e suas métricas, como direcionadores de processos de inovação e de educação, será um grande salto para que o país mantenha seu diferencial competitivo, em termos de oferta de recursos naturais e conservação de ecossistemas. Esse é um passo essencial para que os processos de agregação de valor, a partir dos insumos da natureza associados aos demais elementos da nova Revolução Industrial, possam trazer vantagens competitivas sustentáveis.  No entanto, há muito o que fazer para que o Brasil torne-se, de fato, competitivo frente a outros países, cujas empresas vêm internalizando essa transformação com grande rapidez.

 

ARLINDA COELHO – Gerente de Meio Ambiente e Responsabilidade Social da FIEB

Artigo escrito para o Fórum Técnico: “Desenvolvimento Sustentável: Os desafios da Gestão e da Indústria Disruptiva”

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