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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Avanços devem ser preservados

Ricardo Alban

 

A conjuntura já vinha, de certa forma, refratária aos esforços da indústria para quebrar o seu ciclo de queda. Em março último a produção industrial voltou a cair, seja no acumulado do ano ou no comparativo do mês em relação a igual período do ano anterior.

Ainda assim, um olhar mais atento revelava alguns sinais de recuperação da atividade, justo a partir do componente social que a torna tão importante: a criação de empregos.

O mercado de trabalho experimentou pequena reação em abril e fechou o mês em alta no Brasil, a Bahia inclusive. Aqui, no setor industrial, os chamados serviços de utilidade pública (água, energia etc) tiveram alta de 0,8% no emprego com carteira assinada, enquanto na indústria de transformação o crescimento foi um pouco menor (0,5%), mas ainda significativo.

Nacionalmente, pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria revelou sutil melhora nas expectativas da iniciativa privada. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (que oscila de 0 a 100 pontos) alcançou, em maio, 53,7 pontos, ainda ligeiramente abaixo da média histórica (54 pontos), mas muito acima do pico de queda registrado em outubro de 2015 (35 pontos), no auge da crise econômica.

Estes indicadores tinham tudo para desanuviar um pouco o ambiente econômico e trazer algum otimismo quanto à expectativa de retomarmos, ainda que de forma gradual, o crescimento da atividade econômica. Mas as últimas reviravoltas do quadro político ameaçam jogar por terra todos os esforços dos agentes econômicos comprometidos com a volta do crescimento.

Os avanços relativos às reformas estruturais, obtidos nos últimos meses, no Congresso, podem ser comprometidos. Sem as reformas trabalhista, previdenciária e tributária, a economia jamais voltará aos trilhos do crescimento, o ambiente de negócios permanecerá turvo, investimentos continuarão sendo adiados e o Estado ficará impossibilitado de atender, no médio prazo, às necessidades de cunho social.

Não podemos deixar que as conquistas estruturais sejam interrompidas. Pelo contrário, elas devem avançar, pois só desta maneira o país estará preparado contra futuras crises.

A economia – a indústria especialmente – não pode parar. Não há país ou região que cresça de forma sustentável se a sua indústria não vai bem.

Nesta quinta-feira, a FIEB terá ampla programação para comemorar o Dia da Indústria. Será a oportunidade de divulgar a importância estratégica do setor, que precisa ser preservado neste quadro de turbulências políticas. Será, também, o momento de afirmar que é preciso manter os avanços conquistados.  

Garantir a higidez da indústria é contribuir para preservar uma das atividades mais nobres desenvolvidas pelo homem.

 

Ricardo Alban é presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia - FIEB.

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