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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Artigo - Tecnologia, inovação e competitividade da indústria brasileira

 

Artigo de Carlos Henrique  Gantoi, vice-presidente da FIEB,  publicado nesta segunda-feira (11/08) no Jornal Tribuna da Bahia. No texto, ele faz referência a importância da inovação e tecnologia para o crescimento das micro, pequenas e médias empresas. A contribuição da FIEB na Lei Complementar 147/14 sancionada pela Presidência da República é também destacado pelo vice-presidente.  

Leia o texto na íntegra.

 

• CARLOS GANTOIS

 

O novo cenário mundial competitivo e globalizado está impregnado por mudanças no social, no tecnológico e, principalmente, no aspecto mental da forma de entender as organizações e suas relações. Essas mudanças têm trazido ameaças à sobrevivência das indústrias em boa parte do mundo, sobretudo em países como o Brasil, que se encontram ainda marcados pela cultura do repasse dos custos de um sistema operacional arcaico, pela baixa qualificação da mão de obra e pelo atraso tecnológico, salvo alguns segmentos industriais, abarcando, em geral, as grandes indústrias. Este quadro tem levado a necessidade de busca de novos parâmetros de gestão, que garantam a satisfação do cliente com um produto de qualidade e com menor custo. A sobrevivência das empresas industriais, nesta nova ordem mundial, está em garantir a vantagem competitiva. Para tanto, a questão tecnológica é uma das molas mestras para o sucesso deste intento.

A tecnologia materializa-se como benefício efetivo às organizações através da implementação da inovação tecnológica, ou seja, a aplicação do conhecimento adquirido pela pesquisa, nos processos de gestão da organização. As políticas específicas de estímulo à inovação tecnológica têm como objeto garantir os desdobramentos da pesquisa científica e tecnológica, com vista ao desenvolvimento regional. A diversidade dos caminhos tecnológicos adotados pelas empresas, por si só, não garante o seu desenvolvimento, que só se concretiza com a implementação e difusão da inovação tecnológica. Dessa forma, a competitividade tem como um dos seus pilares a tecnologia; contudo, a tecnologia só resulta em vantagem competitiva com a sua inovação e difusão. Ressalvando-se que a inovação deve ser também entendida como a adoção de novos processos de gestão, buscando a racionalização e a eficácia empresarial.

 

Os avanços tecnológicos tornam-se importantes, sobretudo no segmento das micro, pequenas e médias indústrias, que representam mais de 95% do setor industrial nacional. Esta faixa percentual se aplica também para a realidade industrial baiana. Todavia, as indústrias de menor porte carecem de financiamento com condições facilitadas e ágeis, recursos humanos capacitados, maior associativismo, confiança em parcerias e informações de mercado, que lhes possibilitem o acesso à inovação tecnológica, como ferramenta para o incremento de sua produtividade e competitividade.

 

A Lei Geral 123/06 e a Lei Complementar 147/14 - esta última sancionada pela Presidência da República no último dia 07 de agosto de 2014, tendo recebido contribuições da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) - permitiram grandes avanços para as micro e pequenas empresas, inclusive no que tange ao fomento à pesquisa, tecnologia e inovação. Porém, é preciso avançar ainda mais, em especial no sentido de albergar as médias empresas, pelo menos criando um regime de transição para aquelas com faturamentos superiores a R$ 3.600.000,00, atual limite adotado para fins de enquadramento como pequena empresa do Simples Nacional. O vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado da Bahia e representante da Fieb no Conselho Nacional das Micro e Pequenas Empresas Industriais da CNI, Reginaldo Rossi, asseverou que esta tem sido uma preocupação dos conselheiros daquele fórum.

 

Nesse sentido, é precípuo um esforço concentrado dos órgãos públicos, entidades de fomento, universidades, centros de pesquisa e instituições de representação e apoio empresarial, de modo a produzir o necessário aporte de conhecimento e capital, em condições diferenciadas, para atender essas indústrias, inclusive no interior do país, para onde deve “caminhar a industrialização”, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Isto torna-se ainda mais premente, quando se constata uma clara desaceleração da atividade econômica no Brasil, assinalando que as perspectivas não são melhores para 2015, independente do resultado das eleições deste ano. O país exige reformas estruturantes em diversos campos, a exemplo das áreas tributária, trabalhista, educacional, tecnológica e de saúde, com efeitos de médio e longo prazo, apesar dos inegáveis avanços em alguns aspectos.

 

Por fim, vale registar que a Fieb, sob a presidência do industrial Carlos Gilberto C. Farias, em parceria com o Sebrae/Ba está encetando o arrojado Programa de Desenvolvimento das Micro, Pequenas e Médias indústrias (PDI), visando o fortalecimento desse setor em todo o território baiano, com ênfase no interior do estado. Para tal, conta com o apoio do governo baiano, das prefeituras municipais, bancos de fomento, universidades e entidades de pesquisa. Com isto, será levado o necessário aporte, através de cursos e ações de capacitação empresarial e de mão de obra, incluindo a busca pela inovação tecnológica como importante ferramenta para melhoria da produtividade e competitividade da indústria baiana. O programa abarcará, inicialmente, o período de 2014 a 2017 e será, ao meu ver, em certa medida, um marco no processo de desenvolvimento industrial sustentável do Estado da Bahia.

 

Carlos Gantois Empresário e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia carlos.gantois@fieb.org.br