A+ A-

Notícias

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Covid-19: Alunos de escolas da Rede SESI desenvolvem soluções de impacto social

Jovens de 13 a 18 anos criaram sistemas inovadores de desinfecção de elevadores e livros, que podem beneficiar pessoas e empresas.

Uma cabine de esterilização de livros por ozônio e um sistema de desinfecção de elevadores com raios ultravioleta estão entre os projetos classificados para a final nacional do Torneio SESI de Robótica - Desafio Covid-19, cuja premiação acontece no dia 24 de setembro. As invenções dos estudantes do SESI Bahia foram selecionadas pelo seu caráter inovador, de impacto social e viabilidade de execução.

Ao saber que os livros das bibliotecas deveriam passar por quarentena de 14 dias antes de um novo empréstimo, Ana Clara Freitas, Jade Santos, Natália Jesus e Wililane Barbosa, do 9º ano do Ensino Fundamental II do SESI Candeias tiveram o “clique”. Idealizaram um sistema de desinfecção dos exemplares, tão importantes para sua aprendizagem.

Cabine livros.jpg

Cabine utiliza ozônio para desinfectar livros. Foto: arquivo pessoal.

“Fizemos uma pesquisa e descobrimos que a cabine já existia. Nosso diferencial seria a utilização do ozônio, que não traz riscos à saúde humana”, explica Natália, 14. Com muito estudo e suporte técnico, as garotas desenvolveram uma máquina hermética capaz de esterilizar 1.440 exemplares por dia.

Utilizando o ozônio como agente desinfetante, a cabine dispõe os livros pendurados, que recebem o gás, com a ajuda de ventoinhas. Este, por sua vez, é eliminado por sistema de exaustão, de forma rápida e segura. “Assim, os livros podem ser disponibilizados para empréstimo, novamente, sem colocar em risco os profissionais das bibliotecas e os leitores”, explica o técnico da equipe de robótica, Clóvis Campagnolo.

Já a motivação do projeto de esterilização para elevadores, desenvolvido por quatro alunos do Ensino Médio da Escola SESI Djalma Pessoa (que também fazem cursos técnicos no SENAI), em Salvador, surgiu de conversa informal entre o grupo. Um dos jovens falava que tinha passado a usar a escada no lugar do elevador, com medo do contágio pelo coronavírus.

Elecador.jpg

Sistema germicida à base de Raios UV-C eliminaria Covid-19 de elevador. Foto: arquivo pessoal. 

“A gente pensou nos milhões de pessoas que devem estar sentindo a mesma coisa e daqueles que não têm opção de usar escadas, como os que trabalham em prédios comerciais, por exemplo, com muitos andares”, conta Bruna Soares, 18, integrante da equipe.

A partir daí desenvolveram um compartimento de alumínio, localizado no alto do elevador, que armazena lâmpadas germicidas de radiação UV-C. O aparelho poderia ser acoplado aos equipamentos já existentes, custando R$1457.70, o que representa menos de 4% do valor de um elevador.

De acordo com as pesquisas feitas pelos estudantes, a exposição contínua ao UV-C resultaria em 90% de inativação viral em 8 minutos. De acordo com o professor da área de Robótica que acompanha a equipe, Tomaz Goiana, testes para a detecção de vírus no ar ainda devem ser feitos, possivelmente em parceria ou orientação parceria de algum laboratório.

Os alunos tiveram menos de dois meses para apresentar os projetos e os protótipos, que estão montados na Escola SESI Retiro. Os estudantes pretendem tornar os projetos públicos, para que empresas e instituições interessadas possam utilizar.

“Todos estamos em processo de adaptação, aprendendo a conviver na pandemia, da forma mais segura possível. A ideia é que as soluções pensadas por eles realmente cheguem à sociedade, trazendo benefícios para as pessoas”, afirma a gerente de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo.

Mudança de vida – Tanto Natália como Bruna revelam que, antes de participar de projetos de robótica, não gostavam muito de trabalhar em equipe, um dos grandes diferenciais da área como metodologia de aprendizagem. Esta nova habilidade fez toda a diferença na vida das estudantes. “Desenvolvi esta capacidade de trabalhar junto com minhas colegas, de forma mais colaborativa”, conta Natália Jesus. ´

Curiosamente, onde a maioria de nós imagina um cenário de substituição de pessoas, foi na robótica que as meninas viram a necessidade de outros humanos para criar e aprender. Para Bruna, um novo mundo de possibilidades se abriu. Além da formação regular, ela faz o curso técnico em Mecatrônica e já tem todo o futuro “traçado” na sua mente: “Quero fazer graduação em Engenharia e pós em Robótica Industrial, quero usar a robótica para ajudar a sociedade”, afirma.