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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

EDUCAÇÃO: Escola do SESI Bahia representa o Brasil em premiação internacional

A Escola SESI Djalma Pessoa é a única escola brasileira que concorre a uma premiação internacional de US$ 100 mil

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Laboratório da Escola SESI Djalma Pessoa é dedicado à pesquisa em Tecnologias Verdes 

Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

 

A Escola SESI Djalma Pessoa foi a única instituição de ensino médio do Brasil selecionada entre os finalistas do Prêmio Zayed de Sustentabilidade, que anunciará os vencedores no próximo dia 13 de janeiro de 2020, em Abu Dhabi. Além da instituição baiana, uma escola do México e outra da Colômbia representam a América Latina na premiação. O SESI-BA concorre a um prêmio no valor de US$ 100 mil que, de acordo com a gerente de Educação do SESI Bahia, Cléssia Lobo, caso a escola baiana seja vencedora, será investido no programa de iniciação científica da escola.

“Nosso objetivo é impulsionar ainda mais o trabalho de iniciação científica na escola e tornar o SESI uma referência na formação de estudantes e capacitação de professores nesta área”, destaca Cléssia Lobo. Este ano, em seu décimo segundo ciclo anual de premiação, o Prêmio Zayed recebeu um recorde de 2.373 inscrições de 129 países.

O SESI Bahia está concorrendo com o Programa de Iniciação Científica em Tecnologias Verdes. A ideia é proporcionar aos estudantes da escola a construção de conhecimento em educação ambiental, a partir da experimentação prática e prototipagem de projetos autorais de pesquisa e engenharia aplicada em tecnologias sustentáveis. Outro viés é contribuir também para a formação de professores para desenvolver o ensino da iniciação científica no ensino médio.  A proposta também prevê oferecer às escolas da rede pública situadas no entorno da Escola SESI Djalma Pessoa, localizada no bairro de Piatã, em Salvador, a oportunidade de inserir os estudantes em um programa de iniciação científica.

 

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Nicole (esq.) e Yasmin desenvolvem pesquisa com microalga para criar um biofilme para uso na agroindústria

Foto Gilberto Jr./Coperphoto/Sistema FIEB

 

Para o professor Fernando Moutinho, que elaborou o projeto que concorre ao Prêmio Zayed, estar entre os 30 projetos finalistas é uma realização. De acordo com o professor, a Fundação Zayed é uma instituição conhecida mundialmente pelo engajamento ambiental e por reconhecer iniciativas de educação para os objetivos do desenvolvimento sustentável. “A educação do SESI Bahia estar inserida neste ambiente da indústria, posiciona a Rede SESI de Educação com viés tecnológico e inovador, dialogando com a sustentabilidade. Participar de um grupo tão seleto de projetos finalistas com uma relevância mundial na área de educação científica que sempre busquei trabalhar é uma realização”, diz Moutinho.

PIONEIRISMO

A Escola SESI Djalma Pessoa saiu na frente na Bahia com a implantação do programa de iniciação científica na Rede SESI. Tudo começou a ganhar forma a partir de 2012. Foi neste ano, que o laboratório deixou de ser apenas um espaço de atividades complementares às aulas de química, física e biologia para funcionar como um espaço de produção de ciência, dando origem ao Programa de Iniciação Científica da Rede SESI na Bahia.

Desde então, nasceram projetos premiados como a telha ecológica, feita com o reaproveitamento de resíduos da casca de coco, uma pesquisa com microalgas, que reduz a concentração de CO2 no meio ambiente, o bioplástico produzido a partir da fécula de mandioca e o uso da casca de laranja como catalisador para a indústria de fármacos.

As pesquisas com a microalga para redução de CO2 e o reaproveitamento da casca de laranja levaram três estudantes da escola SESI em 2018 a uma feira científica internacional, a Intel-ISEF, evento pré-universitário realizado pela universidade americana de Pittsbourg e que reúne estudantes de vários países nos Estados Unidos. Um dos estudantes, Gabriel Negrão, que atualmente estuda na USP, voltou de lá com uma premiação: o 3º lugar no Prêmio Especial da Sociedade de Espectroscopia de Pittsbourg e menção honrosa da American Chemical Society dos Estados Unidos.

Em 2019, a escola voltou a se destacar com uma pesquisa que desenvolveu um biofilme a partir da biomassa de microalga que ajuda a potencializar a germinação de sementes. A pesquisa conquistou o 3º lugar na categoria Bioquímica e Química na Mostratec 2019, realizada no final do mês de outubro. A Mostratec é uma das mais importantes feiras de ciências realizadas no Brasil e uma das portas de entrada para a Intel-ISEF. Na defesa do projeto estavam as estudantes Yasmin Teles Fonseca e Nicole Melo de Almeida que são orientadas pelo professor Fernando Moutinho e co-orientadas pela professora Jamile da Cruz Caldas.

 

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Nicole de Almeida conta como foi gratificante participar de todo o processo, desde a elaboração da pesquisa, passando pela aceitação do projeto pela Mostratec e a participação do evento em si. “A experiência foi completa. Entendemos como funciona uma grande feira de ciência e tivemos a oportunidade de estar em contato com pessoas que debatem o tema que a gente estuda. Se fosse resumir o processo inteiro até a premiação, a palavra que mais representa é amadurecimento”, resume a estudante.

 

A pesquisa premiada na Mostratec 2019 faz parte da linha de pesquisa em Tecnologias Verdes do laboratório de ciências da Escola SESI Djalma Pessoa. Além desta pesquisa, o laboratório desenvolve atualmente outros experimentos. Um deles é voltado para a absorção de metais pesados no descarte de pilhas usando a quitosana. Outras duas pesquisas tratam do uso das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC’s) no combate à proliferação das larvas do mosquito Aedes Aegypti, através do tensoativo obtido do extrato da folha de araçá (Psidium Cattleianum) e um protótipo sistemático de reutilização da água que é descartada no processo de destilação.

 

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

 

Atualmente, o programa de Iniciação Científica da Rede SESI na Bahia tem mais de 200 estudantes inscritos de todas as sete escolas da capital e interior. Para 2020, este número irá chegar a 500 alunos. A principal novidade é que o SESI Bahia, passará a oferecer aos seus estudantes bolsas de iniciação científica.  “A bolsa não é o fim, mas um meio de fomentar ainda mais o engajamento dos estudantes que também precisam ser desafiados a colocar em prática suas ideias”, explica a gerente de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo.

Coordenador do programa de Iniciação Científica da Rede SESI, o professor Fernando Moutinho explica que o espaço do laboratório é usado para desenvolver competências e habilidades que vão além de experiências científicas. “O programa de iniciação científica e a inserção do estudante no desenvolvimento soluções para aplicações reais permitem que a gente trabalhe inovação e empreendedorismo – no sentido da capacidade de mobilizar recursos e pessoas para atingir um objetivo e colocar as hipóteses em prática”, detalha Moutinho. Para ele, neste ambiente, o estudante desenvolve capacidades socioemocionais, aprende a gerir conflitos, improvisar materiais e métodos, a lidar com a diversidade, além de exercitar a proatividade, o trabalho em equipe e habilidades técnico científicas.

 

PRÊMIO ZAYED

O Prêmio Zayed de Sustentabilidade tem 30 escolas disputando a premiação de 2019 que irá destacar os 10 melhores projetos de inovação sustentáveis, desenvolvidos por estudantes do ensino médio.

A proposta da premiação é abordar alguns dos desafios de desenvolvimento mais urgentes do mundo, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas 2030. O júri que anunciou os finalistas é composto por 12 membros que inclui ex-chefes de estado do México e da Islândia, o ex-primeiro-ministro da República da Coréia, ministros e representantes dos Emirados Árabes Unidos e empresários de renome internacional.

Fundado em 2008, o Prêmio Zayed de Sustentabilidade foi criado para homenagear o legado do fundador dos Emirados Árabes Unidos, o falecido xeque Zayed bin Sultan Al Nahyan, e seu compromisso pioneiro com a sustentabilidade global e o desenvolvimento humanitário.

O prêmio busca reconhecer soluções e tecnologias pioneiras que podem mudar o mundo, recompensando organizações e escolas do ensino médio globais por suas soluções e iniciativas de sustentabilidade inovadoras, impactantes e inspiradoras.

A premiação de US$ 3 milhões é dividida em 5 categorias (saúde, alimentos, energia, água), cada uma recebendo US$ 600.000 onde na categoria escolas globais de ensino médio o prêmio é dividido para as seis regiões, cada uma recebendo US$ 100.000.

Mais de 318 milhões de pessoas foram impactadas direta ou indiretamente pelas soluções de sustentabilidade e pelos projetos escolares dos 76 ganhadores do prêmio desde a primeira cerimônia de premiação em 2009.