A+ A-

Notícias

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Tecnologias de barragens na mineração da Bahia são debatidas em seminário

 Representantes de mineradoras, órgãos públicos de fiscalização e meio ambiente e dirigentes do setor industrial se reuniram, nesta quinta-feira (04), num seminário realizado na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) para traçar um panorama da Mineração na Bahia e discutir normas e tecnologias de barragens adotadas pelo segmento no estado.

capa barragems1.jpg

O presidente do Sindimiba, Paulo Misk, apresentou dados sobre a mineração na Bahia. Fotos: valter Pontes/Coperphoto/Sistema FIEB.  

O Seminário Tecnologias de Barragem e Práticas Sustentáveis adotadas pelas Empresas de Mineração da Bahia foi uma ação do Conselho de Sustentabilidade-CS, em parceria com o Sindicato das Indústrias Extrativas de Minerais Metálicos, Metais Nobres e Preciosos, Pedras Preciosas e Semipreciosas e Magnesita no Estado da Bahia – Sindimiba. “Nosso intuito é compartilhar informações e mostrar o que o segmento baiano de mineração tem feito em relação à sustentabilidade e à segurança de suas atividades”, afirmou o presidente do CS, Jorge Cajazeira.

 

O presidente do Sindimiba, Paulo Misk, trouxe dados do setor no Brasil e na Bahia. Ele destacou que, apesar da associação negativa à atividade, em função dos desastres recentes (Mariana e Brumadinho), a mineração gasta pouca água na sua operação, ocupa apenas 0,5% do território nacional, mas gera muitos impostos e riquezas. “Para se ter uma ideia, em 2018, a mineração respondeu por 16% do PIB industrial do País e 36,6% do saldo comercial brasileiro”, revelou.

 

De acordo com Misk, a Bahia tem diversidade em jazidas, e é o 1° produtor em vários minérios no País, a exemplo do Vanádio, Cromo e Magnesita. “A atividade é de grande importância para o desenvolvimento do estado, principalmente nas regiões mais carentes”, acredita.

 

Acidentes - Um relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) divulgado no fim de 2018 apontou que, na Bahia, havia dez barragens em risco. No entanto, os critérios utilizados em tal divulgação não correspondem a riscos “de engenharia”, ou seja, de rompimento de barragens. É o que explicou o presidente do Comitê Brasileiro de Barragens – CBDB, doutor em Engenharia Civil, Carlos Henrique Medeiros.

 

“Naquela avaliação, o que foi chamado de ‘risco alto’ não representava chance de acidente. Referia-se a outros aspectos”, disse Medeiros. Ele contou que, numa reunião convocada pelo Crea-BA, proprietários das barragens citadas pela ANA foram convidados a apresentar suas estruturas e os argumentos foram convincentes. “Para nós, ficou claro que não há risco de rompimentos”, assegurou.

 

Há cerca de duas semanas foi aprovado pelo Senado o Projeto de Lei n° 550, que altera a Lei nº 12.334/2010, no sentido de reforçar a efetividade da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Para Medeiros, o PLS tem pontos polêmicos. “Há itens que a comunidade técnica não aceita, como o Seguro Obrigatório, por exemplo. Mas reuniões com parlamentares estão sendo agendadas para discutir estes itens”, contou.  

 

Para Rafael Jabur Bittar, consultor sênior em Gestão de Rejeitos  da Yamana Gold Inc., as leis brasileiras já são suficientemente boas e modernas, o que falta é gestão efetiva e governança nas empresas. “É preciso que as áreas operacional e executiva tenham, cada uma, a sua estratégia, além de transparência”, pontuou.

 

Bittar afirma que a área de gestão de rejeitos precisa ter o mesmo “peso”, dentro da empresa, do que a área operacional, que entrega resultados. “Risco zero de acidentes não existe, mas outra tragédia como Brumadinho é inadmissível”, declarou.

 

Participaram também do evento o vice-presidente da FIEB, Eduardo Gordilho, a diretora geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Márcia Cristina Telles, a coordenadora das Promotorias do Meio Ambiente do Ministério Público-BA, Cristina Seixas, o promotor do Meio Ambiente do MP-BA: Pablo Almeida, o presidente do CREA-BA, Luis Edmundo Campos,o chefe de Serviços de Segurança de Barragens da Agência Nacional de Mineração na Bahia, Juliano Santos, além de representantes das empresas Yamana Gold, Mineração Caraíba, Ferbasa, Bamin, Magnesita, Lipari, Leagold, Mirabela, e Vanádio Maracás.