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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Petróleo e Gás: mercado tem urgência na reativação de campos maduros

Fundamental para a economia da Bahia, o setor de Petróleo e Gás vem sofrendo as consequências da escolha da companhia pelo investimento pesado na exploração do pré-sal. Se, para a Petrobras, os poços terrestres mais antigos não interessam economicamente, para os agentes locais, entre eles empresários e representantes de associações, o negócio não só é viável como necessário para a revitalização industrial do estado.

“Estamos perdendo o senso de urgência desta decisão. Todos os agentes econômicos estão preparados”, dispara Anabal Santos Júnior, secretário executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP). Ele integra o Grupo de Trabalho de Petróleo, Gás e Naval da FIEB, que se mobiliza no sentido de pressionar as instâncias de poder para os interesses do setor e fazer proposições relacionados à atração de investimentos e maior participação das empresas locais nos novos projetos industriais em curso no Estado e no país.

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Grupo de Trabalho de Petróleo e Gás conversa com repórter do Jornal O Globo, na sede da FIEB. Foto Carolina Mendonça/Sistema FIEB. 

Nos campos baianos, a produção da Petrobras, que alcançava a média de 50 mil barris/dia, em 2015, hoje não chega a 30 mil/dia. Para os membros do GP, a reativação dos campos maduros que a companhia “deixou para trás” representaria a retomada de um negócio lucrativo para novos players: produtores independentes que assumiriam a exploração dos poços atraindo uma nova cadeia de fornecedores.

“Com esta queda, muito fornecedores fecharam ou migraram para outros locais. Precisamos das oportunidades para fazer com que os empresários invistam e comecem a poder crescer e fornecer para o mercado. Há conhecimento e experiência. O mercado existe”, afirma Carlos Gonzalez, diretor-presidente do Arranjo Produtivo Local (APL) de Bens e Serviços Industriais – Proind-Bahia.

A retomada da produção nestas áreas também seria um forte vetor de geração de trabalho e renda. De acordo com dados da ABPIP, para cada dez mil barris produzidos, há geração de 23 mil empregos diretos e indiretos. No entanto, há estimativas de que, com novos investimentos e tecnologias, a produtividade dos campos maduros se multiplique, podendo-se extrair até 300 mil barris/dia no estado.

Gás – As tão aguardadas rodadas de licitação dos campos terrestres da Petrobras também são aguardadas por quem precisa de gás natural para produzir. A falta do combustível com preço acessível afeta a competitividade da indústria e, na Bahia, a situação é crítica. “Há uma série de projetos estacionados esperando a oferta de gás a preços competitivos para serem implantados. Reativar a exploração interna é essencial”, diz o superintendente de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE), Paulo Guimarães.

De acordo com Guimarães, há dificuldades para se operar o Gasoduto da Integração Sudeste-Nordeste (GASENE) da Petrobras e, em função da falta de oferta, “a Gerdau está parada, assim como a produção de metanol da Coopenor”, conta.  Ele acrescenta que há estudos que mostram que a Bahia tem boas condições também para a exploração do shale gás (de gás de xisto), que está “escondido” em rochas.

Diferencial – O gerente de novos negócios do SENAI Cimatec, Miguel Andrade, explica que o petróleo baiano é parafínico, de baixíssimo teor de enxofre. No Brasil, esta é uma característica única. No mundo, há pouquíssimas jazidas produzindo este tipo de petróleo, que tem uma cadeia muito mais ampla do que o comum, já que a parafina é usada na fabricação de alimentos e diversos itens, como tensoativos, lubrificantes, cosméticos, na construção civil, entre outros. “Esta parafina tem um valor agregado incrível. Acontece que a quantidade produzida não interessa à Petrobras. No entanto, para empresários de outro porte, o metro cubico produzido tem valor agregado muito alto”, assegura.

Andrade afirma que, em termos de desenvolvimento tecnológico, o SENAI Cimatec tem total condição de realizar o reprocessamento da sísmica antiga dos campos com novos algoritmos em supercomputação, apresentando o imageamento de alta qualidade do que está no subsolo. Além disso, o centro tecnológico faz estudos com nano partículas, que podem resultar, por exemplo, em fluidos que estimulem a vazão dos reservatórios.

“Destravando a indústria, a gente tem condição de caminhar. A Colômbia é um exemplo: estudou melhor seus reservatórios e traçou estratégias de drenagens mais eficientes. Nos últimos dez anos as tecnologias de perfuração direcionais avançaram muito, isso sem falar do fracking (fraturamento hidráulico)”, pontua o gerente do Cimatec.