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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Futuro da indústria têxtil na Bahia é tema de workshop realizado pelo Sindifite

O cenário atual e as tendências do segmento têxtil no horizonte 2030, assim como as perspectivas econômicas e políticas para o estado foram assuntos debatidos durante o Workshop O Futuro da Indústria Têxtil na Bahia. O evento, realizado pelo Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem do Estado da Bahia – Sindifite, com apoio da FIEB, aconteceu no SENAI Cimatec, nesta quarta-feira (12).

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Presidente do Sindifite, Eduardo Gordilho (microfone), fez a abertura do evento. Fotos: André Santos/SENAI Cimatec.

“A indústria, como um todo, está em transformação, mas é preciso discutir as especificidades do nosso segmento. Este é objetivo do evento”, afirmou o presidente do Sindifite, Eduardo Gordilho, na abertura do workshop, que contou com a participação de empresários do ramo, representantes do Banco do Nordeste, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), SENAI Cimatec, SENAI Cetiqt, FIEB e IEL.

Com mais de 30 mil empresas, 1,5 milhão de empregos diretos e R$ 144 bilhões em faturamento em 2018, a indústria têxtil brasileira é a maior cadeia produtiva integrada do ocidente, ocupando 4° lugar no ranking mundial. Na Bahia, são 722 empresas e mais de 32 mil postos de trabalho no segmento, de acordo com dados da Abit. No entanto, este ano, entre janeiro e setembro, a produção de tecidos e vestimentas acumulou queda de 1,7% e 3,7%, respectivamente.

O superintendente de Políticas Industriais e Econômicas da Abit, Renato Jardim, atribui os números negativos à queda no consumo entre os brasileiros, em função da crise, além de sucessivos eventos que impactaram a indústria, como a greve dos caminhoneiros, a falta de um inverno característico e a realização da Copa do Mundo. Outro fator que atingiu diretamente os empresários do segmento foi a dificuldade de acessar crédito. “A insuficiência de crédito é um dos principais gargalos que o setor enfrenta hoje”, frisou.

A balança comercial também não fecha o ano favorável ao setor. Entre janeiro e novembro, as importações subiram 5,79%, enquanto as exportações caíram 1,93%. Os números têm influência da crise argentina, país que mais compra do Brasil neste ramo. Com relação à administração que assume o governo federal em janeiro, Jardim se mostrou preocupado com as tendências de “abertura unilateral de mercado”, já sinalizadas pelo provável superministro Paulo Guedes.

O cenário político do futuro governo foi tema da palestra do diretor executivo da FIEB, Vladson Menezes. Ele explicou a composição do novo parlamento, pontuando que as negociações pelas reformais mais esperadas pelo setor produtivo – da previdência e tributária – não serão simples, “dada a composição de ministérios e as bancadas que apoiaram Bolsonaro, as quais poderão divergir sobre estas agendas”, analisou.

Para a Bahia, a situação econômica pode se complicar, na medida em que o governado local é de oposição à chapa eleita. Na prática, a liberação de recursos federais poderá ser freada, num contexto de estado já “quebrado”. “O setor industrial foi muito prejudicado nos últimos anos e a indústria baiana apresenta uma das piores performances do Brasil. Um dos fatores fundamentais para a indústria ter melhores resultados está na melhoria da infraestrutura”, acrescentou o superintendente de Desenvolvimento Industrial da FIEB, Marcus Verhine.

4.0 – Convidado do evento, o especialista do setor têxtil do SENAI Cetiqt, Flávio da Silveira Bruno, trouxe experiências inovadoras já em andamento no mundo, como mini fábricas têxteis 4.0, adaptáveis ao meio urbano, e tecidos e roupas de conceito cinemáticos, que utilizam mistura de técnicas. Para ele, a visão do negócio precisa mudar radicalmente. “As instituições precisam mudar suas filosofias e perfis para se adequar às mudanças que a Ciência e a tecnologia estão promovendo no mundo da produção e do consumo”, preconizou. Leia mais sobre as pesquisas de Flávio aqui.

Sérgio Martins Júnior, do SENAI Cimatec, falou sobre as competências do centro tecnológico e as possibilidades de suporte à indústria e de desenvolvimento de projetos de ponta para empresas de todos os portes. Ele apresentou um estudo realizado em parceria com a Bratac, que produz fiação de seda. Com adaptação de sensores e aplicação de atuadores no processo produtivo, foi possível fornecer análises estatísticas em tempo de produção. “Com este projeto, podemos mostrar que a transformação digital pode começar, temos tecnologia para apoiar a indústria neste processo”, assegurou.

Martins Júnior ainda apresentou o projeto do Cimatec Industrial, cuja primeira etapa será inaugurada em 2019. O complexo contará com centros de P&D de empresas parceiras, fábrica de plantas piloto, incubadora industrial e parque empresarial.

Os integrantes do workshop ainda participaram de uma dinâmica de Design Thinking conduzida pelas instrutoras do IEL-BA, Milene Cavalcante e Glecimar Pozza. Em seguida, foi realizada uma visita ao Sistema Integrado de Manufatura, Pesquisa de Materiais e Novos Compostos do SENAI Cimatec.