A+ A-

Notícias

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Para compensar carga tributária e custo Brasil, presidente da FIEB defende mais incentivos à Indústria

A Indústria é o maior contribuinte de arrecadação tributária federal e a renúncia fiscal do setor é equivalente a 10% à concedida para a Agricultura, por exemplo. Os incentivos à produção industrial são baixos em relação ao que o setor proporciona em termos de arrecadação e empregos qualificados, afirmou o presidente da FIEB, Ricardo Alban, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (11), na sede da Federação. 
 
coletiva 1.jpg
Presidente da FIEB, Ricardo Alban (2/ da esq. para a dir.) e vice-presidentes da instituição durante coletiva. Foto: Valter Pontes/Coperphoto/Sistema FIEB.
 
“É preciso haver uma mudança conceitual, olhar a indústria com os olhos de quem quer enxergar”, apontou Alban ao ressaltar a necessidade de um planejamento de médio e longo prazos para o setor, compatível com as decisões de investimento. O presidente da FIEB comparou os orçamentos deste ano para a Embrapa (da ordem de R$ 2,5 bi) ao da Embrapii (R$ 60 milhões), que é um órgão semelhante e recebe outros dois terços dos recursos do setor privado. “Como podemos recuperar tantos hiatos tecnológicos com este aporte? ”, disparou.
 
Alban mostrou ainda apreensão com a falta de um ministério da indústria no governo Bolsonaro e ponderou as declarações do provável titular do superministério da Economia, Paulo Guedes, quando este afirmou que a futura administração iria "salvar a indústria brasileira apesar dos industriais brasileiros". “Não dá para entender como um setor tão importante para este país não terá o seu ministério. É uma questão de identidade, de individualidade, é a simbologia da representatividade de um setor, que fala por si”, lamentou. 
 
SISTEMA S
 
Outra questão levantada por Alban foram as suspeições alçadas sobre a utilização dos recursos do Sistema S e as hipóteses já citadas na imprensa sobre o futuro destas redes de serviços setoriais. “Há uma visão equivocada sobre o Sistema S. Os recursos, apesar de recolhidos via GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS) são oriundos das empresas, não são públicos”, esclareceu. 
 
Ele lembrou que, na maior parte do país, a oferta destes serviços é muito bem avaliada pela população e deu exemplos da atuação aqui na Bahia. “Os cursos de Engenharia do Centro Universitário SENAI Cimatec são os mais bem avaliados pelo MEC no Norte/Nordeste, pelo 6° ano consecutivo. Também mantivemos todos os investimentos previstos no estado, apesar da crise”, enfatizou.
 
Mesmo a reboque da economia mundial, o Brasil deverá passar por um período de recuperação cíclica sobre uma base deprimida, com crescimento esperado entre 2% e 3%. Em relação ao desemprego, deve haver uma redução lenta. “Nossa expectativa é que o país entre em um círculo virtuoso, mas é preciso um gatilho que dê início e acho que investimentos na infraestrutura deveriam disparar este processo”, disse.