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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Projetos TheoPrax revelam soluções criativas para problemas da indústria e da sociedade

No último dia 29, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) da Bahia realizou a 6ª edição do Prêmio TheoPrax, em que são escolhidos os melhores projetos de alunos dos cursos técnicos da instituição desenvolvidos à luz da Metodologia TheoPrax. Entre os 20 melhores que chegaram à final estadual, foram premiados quatro: Maçarico elétrico à base de hidrogênio (1° lugar), Reutilização do lodo ativado de cervejaria como adubo orgânico (2°), Placas Ecológicas (3°) e Bancada didática de automação com esteira seletora, CLP e supervisório (voto de alunos e professores).

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Vencedores do Prêmio, os estudantes e profissionais formados do SENAI comemoram reconhecimento. Fotos: Coperphoto/Sistema FIEB. 

“Os projetos apresentados foram muito bons. Os alunos desenvolveram soluções criativas e viáveis para os problemas das empresas. A metodologia mostra que, com um bom desafio e uma orientação correta, os alunos respondem com muito entusiasmo e empenho para encontrar as melhores soluções”, disse o coordenador do centro TheoPrax no SENAI, Augusto Araújo.

Primeiro colocado, o projeto do maçarico elétrico à base de hidrogênio foi uma solução encontrada para resolver pequenas soldas em usinagem de chapas de metal, utilizadas em fábricas e na manutenção de ar condicionado, por exemplo. “Desenvolvemos um protótipo funcional, que diminui custos com mão de obra especializada e com o kit oxigás, além de ser mais eficiente que a máquina tradicional”, conta o estudante do curso técnico em Eletromecânica do SENAI Alagoinhas, Antônio dos Santos Júnior, 23.

Já o projeto que levou o segundo lugar conseguiu atender, aos mesmo tempo, demandas de duas empresas, transformando um resíduo em insumo para o plantio de frutas de uma fazenda localizada em Inhambupe. Uma delas, uma fábrica de cerveja, tinha custos elevados com o descarte adequado do lodo residual da produção da bebida. Já a produtora de limões Taiti buscava um adubo orgânico com maior carga nutritiva. As estudantes do curso técnico em Química do SENAI Alagoinhas, Greyce e Catarine, tiveram a ideia de levar o lodo para o laboratório e, lá, constataram que o material poderia ser usado como adubo, dados os nutrientes contidos no refugo. “A alta carga nutritiva do lodo serviu perfeitamente para alimentar aquele solo, considerado pouco fértil”, afirma a aluna Catarine Santos, 24.

Com dois projetos entre os premiados, a gerente dos SENAI Alagoinhas e Camaçari, Eligiane Figueiredo Santos, comemora os resultados. “A gente têm feito melhorias internas para potencializar ainda mais os projetos TheoPrax, que conversam muito bem com a indústrias e os estudantes”, explica.

Eligiane acrescenta que pretende capilarizar ainda mais os projetos na região. Para isso, conta com uma equipe empenhada na prospecção de propostas, liderada pelo coordenador do núcleo TheoPrax na unidade Alagoinhas, Igor Ernandez Santana. “Temos um cronograma de visitas para articular projetos com esta metodologia, que executamos há mais de três anos. Também trabalhamos para manter os professores engajados em todo o processo”, conta o coordenador.

Impacto social – Ao escolher os temas dos projetos, muitos dos estudantes do SENAI também acabam optando por soluções inovadoras que tenham impacto na vida das pessoas. É o caso do projeto que ficou em terceiro lugar no Prêmio TheoPrax 2018: Placas Ecológicas. Neste caso, os vencedores foram estudantes de graduação, que se formaram em Engenharia de Materiais no SENAI Cimatec, em abril.

A equipe tinha um desafio: melhorar a qualidade de placas feitas de fibra de Canabrava e plástico, por uma associação de moradores da Ilha de Maré. “O material foi levado ao laboratório de polímeros, onde estudamos as suas propriedades e conseguimos melhorar as qualidades mecânicas das placas, que ficaram muito mais resistentes”, explica a então estudante, Carolina Motta, hoje mestranda no Centro Universitário SENAI Cimatec.

Gestor do projeto, o engenheiro Francisco Araújo, conta que as placas são produzidas para integrarem sistemas de proteção acústica de ambientes e a sua comercialização garante renda para os moradores da ilha. “O projeto nos interessou exatamente por conta do viés social”, afirma.

Os projetos são resultado da metodologia alemã TheoPrax, adotada pelo SENAI Bahia há 11 anos. Pelo método, que alia teoria e prática, e é aplicado para todos os estudantes da instituição, o aluno precisa desenvolver soluções criativas para produtos ou processos da indústria, ou de cunho social.