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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Indicação Geográfica: o redescobrimento do Brasil

Especial da Agência CNI de Notícias explora o rico universo das indicações geográficas brasileiras e mostra o potencial desse instrumento para ajudar a desenvolver o país

Gente, território, tradição. Indicações geográficas nascem dessa antiga e perfeita mistura. Pessoas ocupam espaços e criam coisas, costumes, receitas e arte a partir do que o ambiente oferece. Desde que a civilização se entende por civilização - e talvez até antes, quem há de contradizer - lugares emprestam o nome para suas criações mais ilustres. A Grécia era conhecida tanto pelo vinho de Chios quanto pelos filósofos. A seda chinesa era tão famosa que até rota tinha. O que dizer dos cristais da Boêmia ou da água de Colônia? Reza a lenda que os portugueses, indo atrás de especiarias das Índias, acabaram descobrindo o Brasil.

Passados mais de 500 anos, o Brasil vai se redescobrindo por meio das indicações geográficas. Tradições e habilidades distinguem cada pedaço deste país tão grande. Vinho, café, renda, queijo, arroz, banana, camarão, pedra, cachaça, tecnologia, cajuína, farinha, goiaba, mais café, cacau, uva, biscoito, guaraná. Hoje, são 61 indicações geográficas brasileiras registradas, mas poderiam (e poderão) ser centenas. Nossas tradições compõem a nossa identidade. Reconhecê-las é atestar a pluralidade cultural e diversidade histórica inevitáveis de mais de 209 milhões brasileiros.

A equipe da Agência CNI de Notícias foi conhecer de perto como é o processo de produção de alguns produtos com indicação geográfica no Brasil. Visitamos quatro cidades: Uarini, no Amazonas; São Roque de Minas e Patrocínio, em Minas Gerais; e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Acompanhe aqui a série especial de reportagens multimídia.

Bahia

Cacau, do Sul, café e cachaça da Chapada. A Bahia tem produtos com valor agregado por motivo de Indicação Geográfica. O Selo é concedido a lugares que são conhecidos como tradicionais produtores de um determinado produto ou serviço ou cujas características do produto, quando originário do local, são únicas. No caso do Sul da Bahia, conta toda a tradição e história em torno da produção de cacau, como, por exemplo, o modo de produção cabruca, que minimiza o impacto no meio ambiente, ajudando a manter parte da flora e sem eliminar a fauna local.

Em janeiro deste ano foi publicada, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a Indicação Geográfica (IG) da região no que se refere à produção da amêndoa de cacau. Com a conquista da IG, por solicitação da Associação Cacau Sul Bahia, a área passa a contar com o Selo de Origem, o que permite aos produtores valorizarem o trabalho desenvolvido, bem como a produção de cacau e chocolate. Leia mais aqui.

Na Chapada Diamantina, a cachaça da Microrregião de Abaíra diferencia-se pelo saber fazer dos produtores, que resulta em um produto de qualidade superior. Apresenta uma graduação alcoólica levemente menor e características sensoriais peculiares, associadas à sua origem e ao controle rigoroso de sua produção, que é feito por meio de avaliação físico-química.

Com apoio do Centro Internacional de Negócios (CIN), da FIEB, produtores baianos se capacitam para explorar a certificação a favor da sua produção. Vários deles estão participando de rodadas de negócios com compradores de mercados externos. Leia mais aqui.