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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Indústria de transformação baiana caiu 2% em 2017

A produção física da Indústria de Transformação da Bahia fechou o ano de 2017 com queda de 2%, ocupando a penúltima posição no ranking dos 14 estados que participam da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), somente acima do Pará (-5,5%). Os seguintes estados apresentaram crescimento no ano: Rio de Janeiro (4,8%), Amazonas (4,7%), Santa Catarina (4,5%), Paraná (4,4%), Mato Grosso (3,9%), Goiás (3,8%), São Paulo (3,5%), Ceará (2,1%), Espírito Santo (1,5%), Minas Gerais (0,9%) e Rio Grande do Sul (0,1%).
 
No sentido contrário, além da Bahia e Pará, o estado de Pernambuco também registrou queda (-0,9%). Na média, em 2017, a indústria de transformação brasileira apresentou crescimento de 2,2%. A PIM-PF é realizada pelo IBGE, com dados consolidados pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB). 
 
Em relação à indústria de transformação baiana, seis dos 11 segmentos analisados apresentaram queda em termos anualizados: Equipamentos de informática (-60,7%); Metalurgia (-26,6%, devido ao mercado em baixa e à influência de uma parada para manutenção da Paranapanema iniciada no fim de março); Refino de petróleo e biocombustíveis, setor que representa 29% do VTI da indústria de transformação do estado (-10,9%, devido a paradas programadas nos meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro da RLAM, além do crescimento da concorrência dos combustíveis importados); Minerais não metálicos (-2,2%); Celulose e papel (-2,0%) e Bebidas (-0,1%).
 
Por outro lado, cinco segmentos apresentaram crescimento na produção: Veículos automotores (30,8%, com maior fabricação de automóveis, devido à evolução do mercado automotivo); Borracha e plástico (6,6%); Couro e calçados (5,5%); Alimentos (2,7%) e Produtos Químicos (0,5%). 
 
QUEDA EM DEZEMBRO
 
Na comparação de dezembro de 2017 com igual mês do ano anterior, a produção física da Indústria de Transformação baiana apresentou variação negativa (-2,8%), enquanto a indústria nacional registrou alta de 5,7%. Sete segmentos apresentaram decréscimo: Equipamentos de informática (-41,1%); Metalurgia (-22,9%, com menor produção de barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre); Minerais não metálicos (-20,0%, menor produção de massa de concreto preparada para construção, cimentos “Portland” e elementos pré-fabricados de cimento ou concreto para construção civil); Couro e calçados (-17,9%, tênis de material sintético); Refino de petróleo e biocombustíveis (-16,6%, menor produção de óleo diesel, gasolina automotiva e óleos combustíveis, por conta de parada de manutenção); Celulose e Papel (-1,5%) e Borracha e plástico (-1,2%). 
 
Em sentido contrário, quatro segmentos registraram crescimento: Veículos automotores (27,5%, aumento na produção de automóveis); Produtos químicos (9,2%, maior fabricação de etileno não-saturado, polietileno linear e propeno não-saturado); Alimentos (6,9%, em virtude do óleo de soja refinado, tortas, bagaços, farelos e outros resíduos da extração do óleo de soja e óleo de soja em bruto) e Bebidas (4,4%).
 
O ano de 2017 refletiu um cenário político e econômico desafiador para o Brasil. A instabilidade política, crise econômica, incertezas quanto ao futuro do país, necessidade de reformas e o elevado nível de desemprego, marcaram o período. Entretanto, a partir do segundo semestre o ambiente político-econômico iniciou o ciclo de retomada positiva. Sucessivas reduções da taxa Selic, recuperação lenta do nível de emprego, aprovação da Reforma Trabalhista, bons resultados do comércio exterior e a recuperação (lenta) da produção industrial nacional contribuíram para a saída da recessão econômica.
 
No entanto, este cenário positivo ainda não está plenamente consolidado a ponto de desencadear uma recuperação mais rápida das perdas dos anos anteriores. O ano de 2018 será importante para a consolidação de um crescimento sustentável e o resultado da eleição presidenciável, bem como os rumos que se darão com a Reforma da Previdência, influenciarão nos resultados dos próximos meses.
 
No que tange à indústria de transformação, o ritmo de recuperação baiano tem sido mais lento que a maioria dos estados brasileiros. Os resultados ruins do segmento de Refino, com peso elevado na indústria de transformação, contribuem negativamente para a queda da produção da indústria baiana. Adicionalmente, os segmentos de Metalurgia e Celulose, também afetaram negativamente a produção industrial local. Nesse contexto, com a queda de 2% no ano de 2017, a indústria de transformação baiana acumulou perdas de 14,9% da produção física nos últimos quatro anos. 
 
RELATÓRIO FOCUS
 
Com dados consolidados, a inflação fechou o ano de 2017 em 2,95% (abaixo do piso da meta de inflação do Bacen desde que o regime foi implantado em 1999) e a taxa Selic em 7,00%. Para o Produto Interno Bruto, espera-se um crescimento de 1,01% no ano passado. De acordo com as informações do Banco Central (relatório Focus, 02/02/2018), as expectativas de mercado para 2018 são: (i) inflação (IPCA) de 3,94%; (ii) Selic em 6,75%; (iii) crescimento de 3,35% na produção industrial; e (iv) crescimento de 2,7% no PIB brasileiro. 
 
Ontem (07/02/2018) o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25% (11º corte seguido) alcançando o menor patamar desde o início da série história em 1986 (6,75%). O Banco Central apontou o fim do ciclo de redução da taxa, entretanto, pode realizar novo corte a depender de alguma mudança no cenário econômico.
 
 
Foto: Carol Garcia/GOVBA