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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Especialistas avaliam os desafios das mudanças disruptivas

O homem levou dezenas de milênios para avançar do estágio de caçador para o de agricultor; levou centenas de anos para avançar da produção artesanal para a industrial. Mas bastaram pouco mais de 30 anos, desde a introdução da internet, para que a evolução do conhecimento e o surgimento de inovações na área industrial tomassem uma nova dinâmica. Hoje, não vivemos apenas uma era de mudanças, mas a própria mudança de era, avaliou Luciano Coutinho, executivo da Dow, no Fórum Técnico Desenvolvimento Sustentável: Desafios da Gestão e da Indústria Disruptiva.

O evento aconteceu no dia 30.11, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), sendo uma realização do Conselho de Responsabilidade Social (CORES) da entidade, cujo coordenador, Marconi Andraos, atuou como mediador das palestras.

Conforme destacou Luciano Coutinho, hoje, a cada dois anos dobra-se a capacidade de produzir e de processar conteúdos na internet pelo mesmo preço. Mas, ao contrário do que se afirma, segundo Luciano Coutinho não existem tecnologias disruptivas, mas modelos de negócios baseados em tecnologias novas. Rapidamente, esses novos negócios acabam gerando mudanças disruptivas e isso está ocorrendo em velocidade cada vez maior, tanto na indústria quanto em serviços.

A grande sacada, hoje, é transformar as informações que circulam na internet fonte de novos negócios. É o que fazem, cada qual em seu segmento, a Uber, Google, Facebook, AirBNB. Mesmo as indústrias que já consideramos tradicionais, como a IBM e Microsoft, estão investindo pesado em inovação para manterem-se relevantes.

NOVOS EMPREGOS

Herman Lepikson, pesquisador do SENAI Cimatec, afirmou que as novas tecnologias estão revolucionando os modelos de negócios e os perfis de emprego.  Segundo observou, nas manufaturas avançadas, 30% dos empregos atuais não existiam há dez anos. “Estou certo de que 60% de nossos filhos terão empregos que não existem hoje”, afirmou Lepikson.

Ele explicou que o Senai já vem atuando na formação de pessoas para os novos perfis profissionais que despontam, bem como no desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras que coloquem a indústria brasileira em patamares de competitividade, pelo menos iguais às dos líderes mundiais. Quanto a esta última, o Cimatec já desenvolve soluções tecnológicas para a indústria 4.0.

Na sequência, Arlinda Coelho, gerente de Meio Ambiente e Responsabilidade Social da FIEB afirmou que em um cenário marcado pela quarta revolução industrial, com mudanças disruptivas, é imperativo atentar para os imperativos da sustentabilidade. Agir no mundo empresarial com foco na sustentabilidade (responsabilidade social, ecodesign e produção mais limpa), para atingir os Objetivos Propostos para o Novo Milénio, encampados pelas Nações Unidas.

NOVOS PARADIGMAS

Cesar Almeida, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, lembrou que o mundo vive um momento de profunda mudança nos paradigmas de gestão organizacional, em virtude dos avanços tecnológicos. As organizações precisam acompanhar essa tendência de um mundo mais complexo e diversificado, com a democratização do acesso à informação.

Segundo Almeida, a diversidade só é plenamente viável em uma organização quando as lideranças evoluem no seus paradigmas de gestão e incorporam na sua rotina um novo jeito de olhar o humano e o seu papel para o desenvolvimento de negócios. “Eu adoro a frase ‘diversidade é chamar para a festa, inclusão é chamar para dançar’. Ainda estamos chamando as pessoas para a festa meio sem jeito, mas o que precisamos é que todos dancem com naturalidade”, disse.