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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Crise hídrica é tema de discussões no VII Evento FIEB de Meio Ambiente

A diminuição do volume dos reservatórios das bacias hidrográficas que abastecem a Bahia vem afetando a vida da população e a produção industrial. Por conta da realidade de escassez, a indústria tem buscado se adequar, com redução de uso do recurso água e reaproveitamento de insumos, mas novas soluções se mostram necessárias diante de projeções ainda mais restritivas quanto à disponibilidade deste recurso natural. O tema esteve no centro das discussões do VII Evento FIEB de Meio Ambiente, realizado na última sexta-feira, 21, na sede da Federação.
 
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“O problema da água é muito mais grave do que nós imaginamos. Pouco se divulgou na mídia, mas durante a crise hídrica de São Paulo, há cerca de dois anos, muitas indústrias pararam ou trabalharam parcialmente”, alertou o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro. Ele lembrou que esta é uma questão de toda a sociedade e que, em pouco tempo, o setor industrial passará a ser taxado com base nos índices de utilização de água em seus produtos. 
 
O presidente da FIEB, Ricardo Alban, lembrou que a água está na composição de tudo o que é produzido e que é urgente se pensar no uso racional e sustentável deste recurso. “Precisamos buscar, rapidamente, soluções para este problema, que é complexo e afeta todas pessoas, mas também a competitividade das empresas”, afirmou.
 
Para Jorge Cajazeira, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da FIEB, que promoveu o evento, o encontro foi uma oportunidade de se discutir a disponibilidade hídrica da Bahia e o que o setor produtivo pode fazer para encontrar saídas. “A falta do insumo água numa atividade industrial reverbera em toda cadeia de fornecedores e clientes, gerando efeitos negativos de ordem econômica, como perdas no recolhimento de tributos nos municípios, estados e União, e repercussões sociais. O evento, portanto, se constitui em fórum para esclarecimentos e propostas de gestão dos recursos hídricos”, pontuou. 
 
O secretário estadual de Meio Ambiente, Geraldo Reis, pontuou que a crise já dura mais de cinco anos e as perspectivas não são otimistas, já que a demanda por água deve continuar crescendo enquanto o volume de chuvas, que abastecem as bacias, tem diminuído. Ele afirmou que o governo baiano tem investido na gestão hídrica, por meio dos planos de bacias e cadastro de usuários em todo o estado. “Temos que aprofundar esta reflexão, no entanto, pois é preciso buscar um equilíbrio que garanta a continuidade das atividades produtivas”, declarou.
 
Bacias – Uma resolução da Agência Nacional de Águas (ANA), publicada no fim de junho, instituiu o Dia do Rio, como medida de restrição ao uso das águas da Bacia do São Francisco. A decisão prevê restrições nos casos em que o uso tem como destino a irrigação, por exemplo. A restrição ocorrerá às quartas-feiras, até o dia 30 de novembro, podendo ser prorrogada caso haja atraso no início do período de chuvas na bacia, que que abrange os estados de Minas Gerais, da Bahia, de Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
 
Há seis anos, os índices pluviométricos estão abaixo da média, o que resultou na redução dos estoques de água armazenados. A agência informa que em 11 de junho o volume de três reservatórios (Três Marias, Sobradinho e Itaparica) estava em 18,6%. Ainda segundo a ANA, desde o início de junho a vazão média diária de defluência, autorizada pela agência nos reservatórios de Sobradinho e Xingó, é da ordem de 600 m³/s – o menor patamar já praticado.
 
De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), a Bahia vive a pior seca dos últimos 50 anos. A estiagem que atinge o estado já reduziu o nível dos mananciais utilizados para o abastecimento humano em diversas áreas. Pelos dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o lago de Sobradinho, em março de 2017, atingiu 15,16% do volume útil. 
 
Já o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) aponta que outras represas também estão com níveis baixos. Responsável por abastecer 65% de Salvador e região metropolitana, a barragem de Pedra do Cavalo, no Rio Paraguaçu, entre Governador Mangabeira e Cachoeira, chegou a 23,01% da capacidade em abril. 
Convidado do evento, o diretor de Águas do Inema, Eduardo Topázio, falou sobre a situação de algumas bacias do estado e afirmou que o órgão “vem investindo em informação e redes de monitoramento. “O Monitor da Seca, por exemplo, faz todo o levantamento referente aos reservatórios e permite que sejam coletados dados diários, do ano inteiro, que inclusive servem de base para decisões do governo”, explicou.
 
A situação da Bacia do São Francisco foi abordada por Joaquim Gondim, superintendente de Operações de Eventos Críticos da ANA. Após explicar as recentes medidas tomadas pela Agência, enfatizou a necessidade de se trabalhar com gestão de risco quando o assunto é água. “A ANA está o tempo todo reavaliando o sistema e projetando seis meses à frente. Nossa previsão é que, em dezembro, Sobradinho chegue a 1,5% do seu volume útil”, anunciou.
 
Ao encerrar as palestras do evento, o coordenador da Rede de Recursos Hídricos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Percy Soares Neto, lembrou que, na indústria, há muitas iniciativas inovadoras e criativas, que precisam ganhar escala para entrar na gestão de águas do Brasil. “O setor precisa atuar no sentido de se garantir equidade e justiça no acesso à partilha de água, pois muitas empresas já adotaram medidas de redução do recurso e não podem receber o mesmo tratamento de quem nunca se preocupou com esta questão”, disse.