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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Nordeste Forte lança roadshow “Investimento e Desenvolvimento do Nordeste” em Recife

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A Associação Nordeste Forte lançou, nesta sexta-feira (14), o roadshow “Investimento e Desenvolvimento do Nordeste”. O evento reuniu os presidentes das Federações das Indústrias da região, a Sudene, o Banco do Nordeste (BNB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Apex, na Casa da Indústria, em Recife.

O roadshow, promovido pela Associação Nordeste Forte e SUDENE, visa promover políticas para o desenvolvimento econômico da região, incrementar a indústria, debater projetos e propostas de interesses comuns, e, assim, elaborar um modelo estratégico para atração de investimentos.

O presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (FIEPE), Ricardo Essinger, anfitrião do primeiro Roadshow, defende que a Sudene tenha acesso a estrutura e instrumentos que possam alavancar a economia regional, por meio do fortalecimento das indústrias e reparo ao que chamou de “secular descaso com este lado do Brasil que levou a Sudene a ser sacrificado.

“Antes da Sudene, a atividade  era incipiente. Depois veio o fomento da região, com a desenvolvimento social e econômico, com a fixação do homem à terra, geração de empregos, diversidade, produção industrial e acervo sobre a terra e a gente do Nordeste. Precisamos retomar isto e a Associação Nordestes Forte une forças para um desenvolvimento neste nível”, destaca.

O presidente da Associação Nordeste Forte, Amaro Sales de Araújo, presidente do Sistema FIERN, destacou duas medidas sancionadas esta semana que irão impactar positivamente na retomada do crescimento da economia: a convalidação dos incentivos fiscais estaduais e a aprovação da reformação trabalhista. As novas leis oferecem condições para atração de investimentos, geração de emprego e renda. “A convalidação dos incentivos fiscais, aprovada esta semana, traz uma tranquilidade para o empresariado. Não há como fazer um Brasil diferente, um Nordeste diferente, sem os incentivos fiscais. E a modernização das leis de trabalho é fundamental para sermos mais competitivos, pois tira o medo dos empresários de investir, permitindo maior contratação, mais emprego, mais renda”, frisa.

Este é o primeiro de uma série de encontros regionais que serão realizados nos nove estados do Nordeste, e vai viabilizar um modelo de atração de empresas para a região sem alterar a estratégia de incentivo fiscal entre os estados. Os presidentes e dirigentes técnicos de todas as Federações do Nordeste, explica Amaro, devem levar aos empresários de cada estado, as deliberações do encontro, bem como promover a aproximação desses agentes com o setor produtivo.

A desigualdade regional no Brasil é um problema persistente, apesar de ser alvo de políticas públicas há décadas, como lembrou Amaro Sales. “O Nordeste possui 50 milhões de pessoas aptas a produzir não podemos estar com o pires na mão pedindo ao governo federal. Mas termos políticas de desenvolvimento com condições para crescer e desenvolver mais, de forma diferenciada. Não podemos tratar os desiguais do mesma forma”, observa.

Além do presidente da FIERN, a comitiva potiguar contou com o vice-presidente da FIERN, Pedro Terceiro de Melo, o superintendente de Integração e Articulação, Helder Maranhão, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Flávio Azevedo, o assessor do Nordeste Forte, Ernani Bandeira de Melo e o assessor técnico do MaisRN, Pedro Albuquerque.

 

Associação Nordeste Forte

Fundada há um ano, a Nordeste Forte é formada pelas nove Federações das Indústrias da Região Nordeste. É presidida pelo presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Amaro Sales (FIERN); e tem como vice-presidentes os presidentes das Federações dos Estados de Pernambuco, Ricardo Essinger (FIEPE); Ceará, Beto Stuadart (FIEC); Alagoas, José Carlos Lyra de Andrada (FIEA); Paraíba, Francisco Gadelha (PB); Maranhão, Edilson Baldez das Neves (FIEMA); Bahia, Antonio Ricardo Alvarez Alban (FIEBA); Piauí, Antônio José de Moraes Souza Filho (FIEPI); e Sergipe, Eduardo Prado de Oliveira (SE).

 

Mais crédito e menos burocracia é discutido no Roadshow em Recife

Entre as medidas apresentadas para melhorar acesso ao crédito, durante o lançamento do Roadshow “Investimento e Desenvolvimento do Nordeste”, realizado nesta sexta-feira (14), no auditório da FIEPE, o Banco do Nordeste anunciou a redução da taxa de juros para capital de giro. As taxas passam a ser de 0,88% ao mês para pequenas empresas e 1,32% ao mês para as grandes empresas. A medida, segundo o diretor de planejamento nacional, é importante para que as empresas, sobretudo industriais, que enfrentam problema de ociosidade da capacidade instalada, acessem o recurso para aumentar a produção. Além disso, a revisão nas normas permite a desburocratização dos processos.

“O Banco está preparado e com disponibilidade de atender às demandas que chegam por meio das entidades, Federações”, afirma o diretor de planejamento nacional do BNB, Perpétuo Cajazeiras. As demais regras para concessão do crédito, documentações exigidas e prazo para financiamento, que dependendo do contrato, pode chegar a 36 meses, permanecerão inalteradas.

O orçamento do Fundo para este ano é de R$ 26 bilhões. O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) visa contribuir para o desenvolvimento econômico e social da Região e é destinado a produtores e empresas, pessoas físicas e jurídicas, além das cooperativas de produção, que desenvolvam atividades produtivas nos setores agropecuário, mineral, industrial, agroindustrial, de empreendimentos comerciais e de serviços na área de atuação da Sudene.

O assessor da área industrial do BNDES, Lucas Linhares, trouxe em primeira mão para os presidentes de Federações e autoridades que participam do evento a nova política territorial do banco. A Política de Dinamização Regional e fortalecimento de Redes de Cidades, que busca identificar como fomentar a economia em três tipos de localidades (cidades com renda menor que 75% da média nacional, cidades médias nas áreas prioritárias e microrregiões, como capital e regiões metropolitanas), com duas linhas de investimentos.

A ideia, explica Linhares, é “territorializar” a visão de desenvolvimento como forma de aproximar e por em prática uma missão do banco, que até então não foi efetivada, que é a redução das desigualdades sociais e regionais. “Com articulação de ações operacionais de desenvolvimento regional. Neste contexto, este encontro é bastante eficaz, pois reúne os principais atores de estados com os desafios comuns e que precisam de complementariedade”, afirma.

A consultora da CNI, Suzana Peixoto, apresentou durante o evento uma série de projetos e consultorias disponibilizadas pela Confederação Nacional das Indústrias aos empresários, como o Núcleo de Acesso ao Crédito, já presente em sete estados da região, que facilitam, por meio de capacitação a tomada de crédito necessário ao funcionamento das empresas. “O crédito é um dos fatores primordiais ao desenvolvimento da indústria da região Nordeste e do país. E a CNI tem mecanismos e projetos que facilitam essa compreensão de que tipo de crédito, como tomar, onde está sendo oferecido”, observa.

 

Ampla atuação da Sudene para fortalecer a Região Nordeste

Ampliar a atuação da Sudene, retomando o papel que exercia no passado enquanto um órgão indutor do desenvolvimento e de articulação entre os estados do Nordeste, é determinante para o crescimento socioeconômico da região. Esse foi o tom do discurso do superintendente da Sudene, Marcelo Neves, na palestra de abertura do lançamento do Roadshow “Investimento e Desenvolvimento do Nordeste”, realizado nesta sexta-feira (14), no auditório da FIEPE.  O superintendente destaca que há recursos disponíveis para financiar projetos com recursos do FDNE e defende o uso de incentivos fiscais como instrumento de desenvolvimento regional.

As empresas que se instalam na região da Sudene têm direito a incentivos fiscais, que variam entre 30% e 75% sobre o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), além de descontos no PIS/PASEP e Confins para aquisição de novas máquinas. A concessão de incentivos fiscais reflete na criação de postos de trabalho, destaca Marcelo Neves, com 383.631 empregos diretos criados entre 2012 e 2015 e  outros 145.862, de 2016 e 2017.

“São políticas diferenciadas para reduzir as desigualdades regionais. Com investimentos e planejamento para ter crescimento econômico”, afirma Neves.

Segundo ele, as ações da autarquia não buscam apenas o crescimento do PIB, como também fortalecer todos os indicadores sociais, educação, IDH, e melhorar a infraestrutura da região. Neste sentido, ele destaca que a Nordeste Forte tem uma série de pleitos, entre eles de obras estruturantes, a ações de fomento, de desburocratização e atração de investimentos que devem, por meio da mobilização dos empresários, entrar na pauta nacional. “Precisamos repensar tudo que queremos para a região, não apenas recursos. Mas o plano de desenvolvimento regional do Nordeste”, frisa Neves.

Na palestra de abertura “Investimentos e Desenvolvimento do Nordeste”, ele relembrou a criação e da autarquia durante o Governo de Juscelino Kubitscheck, na década de 1950, que conseguiu alavancar o PIB do Nordeste de 4,5% para 16%. O crescimento se deu por meio do processo de industrialização da região com elaboração de estudos, planejamento e ações focadas em fomento, pensada de uma forma transversal.

Restruturada em 2007 após processo de desmobilização e extinção em 2001, a “nova Sudene” é uma autarquia vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que trabalha para se reafirmar como indutor regional atuando nos nove estados do Nordeste e no norte dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. “A mudança não é apenas de endereço, mas também uma restruturação interna, para que a Sudene volte a ocupar o papel que já exerceu no passado, de articulador institucional da região, de modo a trazer os atores para pensar o desenvolvimento, com estratégias e diagnósticos definidos, levando em consideração estar inserido em área de Semiárido”, afirma Marcelo Novaes.

No início de julho, foi protocolado um acordo de cooperação técnica com o PNUD para que, neste segundo semestre, o plano seja elaborado. “É preciso um alinhamento, um norte de onde queremos chegar. Onde o Nordeste quer estar e precisamos da união de todos os empresários para repensar as estratégias e incorporar a discussão nesse planejamento de ações feitas por gestores e empresários, rediscutir as obras estruturas, as linhas de crédito, os investimentos para o Nordeste”, afirma.